espírito da cruz 29 – a luz que inveja as luzes

Jesus disse: vós sois a luz do mundo. Ele não disse: tu és a luz do mundo. Sua fala é coletiva. Não se trata de uma simples candeia, mas de um candelabro. A única luz é Cristo, e nós somos as velas do candelabro. Tudo indica que essa proposta tem cunho de comunidade e jamais de vôo solo. Aliás, não há um menorá com uma vela solitária.

Você e eu não temos luz própria; nós somos como os planetas que refletem a luz do sol. A luminosidade no cristianismo é Cristo e, quando alumiamos, é, tão-somente, porque fomos iluminados. Cada um tem o seu brilho de acordo com a luz de Cristo em si mesmo. Ninguém brilha mais do que a projeção de Cristo em sua vida.

Apagar a vela do outro não faz a sua brilhar mais. É somente ridículo. A sua luz é o reflexo de Cristo em você, e nada mais. Cada um, no candelabro, tem a proporção de sua intensidade conforme a manifestação de Cristo. Uma vela tem seu brilho; duas têm o dobro; três tornam-se mais forte, mas apagar a vela do outro não faz a minha brilhar mais.

É triste vermos ventos canalizados nos candelabros. Uns sopram daqui pra lá e outros de lá pra cá, todos querendo ver a chama da luz que nos incomoda se apagar.

Não posso admitir que o vagalume brilhe mais do que eu, disse a lagarta fluorescente.

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Os irmãos de José o venderam por inveja. O apóstolo Paulo foi perseguido por inveja. Esse é um sentimento cruel e uma broca voraz na madeira da alma, carcomendo o ser, por dentro e deformando por fora. O escritor e pregador chinês Watchman Nee disse: invejar o chamado de outra pessoa, pode destruir o seu próprio chamado. É algo fora de propósito cultivar carrapicho no jardim, mas é muito mais escandaloso alimentar a inveja.

Antonio Salieri foi um grande músico e um dos mestres de piano do inigualável  Mozart. Ele não suportou o virtuosismo do aluno e a inveja o abateu. Tornou-se vítima de sua amargura crônica, perdendo-se na crítica azeda, enquanto a história o descreve dum modo irônico, apenas como “o invejoso”. O pedestal da altivez o removeu do castiçal.

Já disseram que a inveja fornece a lama que o fracasso atira contra o sucesso, mas o barro lamacento que foi atirado é só perda de terreno daquele que atirou. É triste a biografia dos invejosos. Thomas Brooks afirmava: a inveja tortura as afeições, incomoda a mente, inflama o sangue, corrompe o coração, devasta o espírito; e, assim, se torna, ao mesmo tempo, torturadora e carrasco do homem. É triste ler a biografia dos invejosos.

A igreja é um candelabro, jamais a fogueira das vaidades. É um castiçal com as muitas velas iluminando todas, ao mesmo tempo, sem competição ou comparação. É uma comunidade de estímulo e encorajamento, onde o invejoso não tem vez, pois o espírito da cruz vai destronando qualquer desejo de singularidade. Mendigos, não há espaço para a inveja nessa caminhada da mendicância da graça.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

2 comentários sobre “espírito da cruz 29 – a luz que inveja as luzes

  1. As pregações do Glenio me anulam,me tiram de cena,mas pela graça de Jesus estranhamente minha alma fica nutrida e meus olhos mais iluminados.Um religioso não pode compreender como é bom ser humilhado pelo evangelho da graça.Só um morto e ressuscitado com Cristo deseja glorificar única e exclusivamente a Cristo,porque não vive mais para si,mas tem a vida de Cristo nele.

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