espírito da cruz 26 – tentado a não ser tentado

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Sou tentado a viver sem tentações, mas, são as tentações que mostram quem sou de verdade. Sem as tentações eu nunca saberia quão perversa é a minha natureza e o quanto eu careço das misericórdias do Altíssimo, em cada dia.

Uma coisa é certa: a tentação jamais deve ser estimulada, porém, ela deve ser esperada. Ela é insidiosa e insistente. E enquanto vivermos nesse corpo carnal, todos nós seremos tentados diariamente, além do que, não há uma vacina anti-tentação.

Contudo, como disse Michael Greene, se for necessária a tentação e o pecado para que Deus seja revelado em suas verdadeiras cores, e Satanás nas dele, certamente alguma coisa foi salva do naufrágio. Há um bom adubo na podridão da compostagem.

Como é bom saber que toda tentação é uma oportunidade de nos achegarmos para Deus. Ninguém é forte o suficiente para resistir uma “boa” tentação, por isso, a única via de escape é o trono da graça. Agora mesmo, quando escrevo, estou sendo tentado, e não tenho alternativa, senão o colo do meu Abba. Eu sou fraco, muito fraco mesmo.

Sei, ainda, que não há nada que conduza tanto à verdadeira humildade como a tentação. Ela nos ensina como somos fracos. Apenas os fracos mendigos podem recorrer ao trono da graça em busca do suporte para as suas fraquezas.

O pecado tem o seus prazeres, e a tentação nos encaminha para goza-los. Só que o prazer do pecado é passageiro, mas a tentação não leva isso em conta. Ela sempre doura a pílula mais do que o veneno escondido na sua cápsula.

Doug Barnett pontuou: se você não quer que o diabo o tente com fruto proibido, é melhor sair do pomar dele. O problema é que a serpente tentou o casal lá no jardim de Deus. É isso que torna a tentação um horror: não existe ordem tão sagrada, nem lugar tão secreto nos quais não haja tentação. Sou tentado na oração, na pregação e meditação.

Jesus foi tentado, não porque fosse um pecador, mas porque era homem. Toda tentação é humana. Se somos seres humanos, seremos tentados. Entretanto…

Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, junto com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar. 1 Cor 10:13.

Minha esperança está no Altíssimo, pois, se as tentações estão por toda parte, assim também a graça de Deus. Sendo onipresente, sua graça também é ubíqua.

Mendigos, ninguém é mais habilitado a ter vitórias nas tentações do que aquele que expõe as suas fraquezas diante do trono da graça. Abraham Wright escreveu: Eu sou curado pela enfermidade, enriquecido pela pobreza e fortalecido pela fraqueza. É assim que o Espírito da cruz nos dirige.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 25 – o pecado da culpa (sem motivo)

A culpa está para o pecado, assim como as cinzas estão para a fogueira. Não há culpa real sem uma razão pecaminosa, do mesmo modo, que não há cinza sem fogo. Se alguém sente culpa, é porque tem culpa. Não há culpa real com uma causa irreal.

Às vezes porém, vemos pessoas assumindo culpa sem culpa; neste caso, essa culpa é falsa. Trata-se de um comportamento imposto por um impostor que pretende sair da zona do crime. É uma culpa imputada para despistar algum espertalhão culpado.

Neste terreno da culpa sem culpa, há também, uma culpa tinhosa atirada sobre os ombros de gente ingênua, para controlar a sua conduta. É aqui que a religião nada de braçada afogando as pobres vítimas com os “pecados” esculpidos pelos usos e costumes de uma tradição hipócrita, que asfixia as almas num oceano mentiroso de culpas fajutas.

Sabemos pelas Escrituras, que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Se o pecado foi pago, a culpa foi apagada. Ninguém pode cobrar uma conta liquidada. Mas, o problema da religião é que, sem a culpa, ela não pode controlar a turma, nem gerar a obrigatoriedade na vida dos seus participantes. A religião vive dos cabrestos.

É aí que os líderes inescrupulosos e perversos engendram os “pecados” vis da aparência e lançam, com a Bíblia na mão, uma camisa de força para conter os irmãos. Vi uma pobre senhora, de cara lavada e cabelos embaraçados, chorar lágrimas em cascata, porque, dias antes, fora numa festa familiar com o seu cabelo cortado e maquiada.

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O seu “pecado” foi buscar melhorar a imagem. Não se tratava de uma Jezabel, mas foi assim que a trataram e, ela, tristemente, aceitou a sentença dos fariseus. Eu não estou defendendo a vaidade, estou combatendo a vacuidade, com o espírito da cruz.

-Não posso aceitar que esse líder, obeso e glutão, tripudie, sem dó, os corações de algumas irmãs, só porque elas cortaram os seus cabelos – disse-me, essa senhora, em soluços.

– Eu também não – gritei. – Nem o conheço, mas se é glutão e não tem culpa, como é que pode condenar e culpar quem não é culpado de nenhum pecado de fato?

Muitos constroem seus sistemas em cima de doutrinas falsas, para produzir a falsa culpa e, assim, controlar as almas inseguras pelos caminhos da vergonha, do medo e da obrigação. Quanta gente vive no seio das “igrejas” com uma paúra mórbida e com a desconfiança crônica de nunca ser aceita pelo amor gracioso de Deus!

Eles engendram os seus pecados favoritos com os seus preconceitos, e depois geram as culpas com os seus escrúpulos imorais. É esse sentimento de culpa que nos faz ter vergonha de Deus, além de produzir a autopenitência para tentar ressarcir o preço do “pecado” que esses capangas do inferno induzem para dominar as pobres almas…

Mendigos, cuidado com essa gangue!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.