espírito da cruz 20 – o jeito do jejum

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O jejum não é mera questão de privação de alimentos, bem como, jamais será moeda de troca. Nada que não seja pela graça tem graça no Reino de Deus. O jejum tem a ver com a comunhão promovida pelo amor. Uma vez que os filhos do Altíssimo estejam na intimidade de uma conversa confortante, na sala do Trono, acabam jejuando.

A oração não é uma reza, nem mesmo um ritual. A oração é a conversa entre o filho e o seu Pai. É um diálogo de afeto que, frequentemente, pode se delongar e por isso, culminar no jejum. Foi o prazer da comunhão que dispensou o prazer da alimentação.

Na esfera espiritual a comunhão é mais poderosa e prazerosa do que a própria comida. Na tentação de Jesus no deserto, Satanás lhe propôs uma refeição que provasse a sua filiação de Deus e, o Senhor lhe contestou: nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

Se Esaú sujou o babador com um prato de lentilha, Jesus rechaçou o tentador com o cardápio do céu.

Jesus não foi ao deserto para jejuar. Ele foi levado ao deserto para ser tentado pelo diabo. O problema é que o diabo demorou demais e Jesus ficou conversando com o Seu Pai, e, por este motivo, acabou jejuando. Enquanto conversava com Deus, jejuou.

É por esta razão que a Bíblia coloca quase sempre a oração na frente do jejum. A locomotiva é, todavia – oração, enquanto o jejum se torna o vagão. Quero ressaltar aqui o fato do espírito da cruz, que tem como propósito sempre depender da graça. Se o jejum é uma realidade de conquista ou de quebrantamento, então o Espírito Santo ficaria quase dispensável no que diz respeito ao esvaziamento das forças carnais.

Segundo o apóstolo Paulo as armas de nossas lutas não são carnais. As tropas espirituais não guerreiam com armas carnais. Sendo assim, jejum jamais poderá ser visto, em si mesmo, como uma arma espiritual, pois se for, a graça deixará de ser graça.

Tanto a oração como o jejum são tidos como meios da graça. Ninguém ora ou jejua para receber bênçãos da graça de Deus, mas ora e jejua porque a graça impulsiona  a isso. Não é por esforço, mas por desprendimento e prazer espiritual. A vida cristã nunca foi movida a muque ou tutano do sujeito, porque tanto o querer como o efetuar são efeitos da graça na vida dos filhos do Altíssimo.

As disciplinas espirituais nunca tiveram caráter de esforço carnal. Não se trata de supressão de um instinto velho, mas da expressão das novas motivações advindas por meio do novo nascimento. Não é a alma se esforçando para ser aceita perante o trono, é o espírito regenerado se alegrando com as riquezas insondáveis de Cristo.

Mendigos, não entrem nessa de conquistar aquilo que já foi conquistado e não façam dos meios da graça uma aquisição sua.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 19 – sou rebelde, e dai?!

O espírito da cruz é o estilo da vida que Jesus demonstrou antes da sua morte. Ele viveu aqui, neste mundo, como um crucificado, pois a sua vontade humana dependia da boa e perfeita vontade do Seu Pai. Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz. João 5:19.

Jesus não foi autônomo. Jamais andou por sua própria iniciativa, vejamos: Eu nada posso fazer de mim mesmo; pois na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou. João 5:30.

A vontade de Jesus tinha como objetivo fazer a vontade do Pai. Ele vivia sob os efeitos da cruz. A sua única vontade estava conformada com a vontade de Deus. Jesus foi um homem que viveu 100% pela fé, como o barro nas mãos do oleiro. Quando a vontade do homem é conquistada pela vontade de Deus, então, o ser humano se torna liberto.

A liberdade dos filhos de Deus não se pauta pelo o direito de se fazer o que se quer, mas, sim, de fazer o que o Pai quer. Seja feita a Tua vontade é a lei da liberdade. O homem é mais livre quando controlado apenas pela vontade do Altíssimo.

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A liberdade cristã significa a capacidade de não violar a vontade de Deus, pois, estar de acordo com a Lei de Deus é o centro vital da vida de fé. A licenciosidade significa a insistência em fazer o que se deseja, portanto, é obstinação com o descontentamento, – a liberdade é transformada em licenciosidade pelo egoísmo.

O espírito da cruz é a marca de quem rendeu a sua vontade à vontade Divina. O crucificado com Cristo teve uma transformação. Morreu a sua psiquê rebelde, e, ainda, recebeu um espírito vivificado pela vida da ressurreição com Cristo.

Não entendo, de fato, como alguém que confessa a sua morte, ressurreição e a vida com Cristo, ainda queira fazer o que quer.  Alguém disse: uma perfeita conformidade com a vontade de Deus é a única liberdade soberana e completa. Não é possível que os salvos tenham a confissão de fé que contrarie uma obediência submissa ao seu Senhor.

O ser humano no pecado é escravo do pecado. A sua vontade encontra-se em total escravatura do seu querer egoísta. Mas, quando, liberto da condenação do pecado e transportado do império da trevas para o Reino da Luz, a sua vontade torna-se livre para fazer a vontade de Deus de boa vontade. Não existe nova criatura que seja insubmissa ou resistente em fazer, com alegria, a vontade de Deus.

Mendigos, a alegria é o resultado natural da obediência do cristão à vontade de Deus revelada. Cristão insubmisso ou rebelde ao princípio de autoridade estabelecido por Deus é anomalia.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 18 – música para o diabo

A epístola de Judas fala de um julgamento contra os religiosos, e diz que: eles são resmungões, murmuradores e incontroláveis; gostam de contar vantagens, cheios de bajulação e interesse. Judas 16. O sindicato da religião é pleno de direitos e são esses tais a causa de toda essa cultura da queixa. Os resmungões estão sempre insatisfeitos.

Ser um cristão e não viver contente é uma contradição. A felicidade dos salvos não significa a ausência de tribulações, mas a consciência de sua aceitação incondicional pelos méritos de Cristo, sendo, portanto, um amado, eleito por Deus. Isto é graça.

Normalmente, as pessoas que se queixam mais são as que mais dão motivos para as queixas. O coaxar é próprio de quem vive na lama, enquanto gorjear vem do alto, do topo das árvores. A murmuração é a linguagem baixa dos enlameados; o louvor é uma canção elevada de um coração agradecido, por uma tão grande salvação.

Conheço um “crente” que sempre que o encontro, sua cara está amassada e o seu discurso com mau hálito. Há, em sua fala, uma pitada de crítica e um gemido bem no fundo da sua alma inconformada, expressando o ranço do seu desgosto crônico.

A murmuração, por menor que seja, remove da cabeça a coroa dos santos. Ser cristão é cantar na cadeia e louvar, mesmo quando tudo parece ser contrário à vida. Foi o sábio Thomás Watson quem disse: – nossa murmuração é música para o diabo. Quando o crente murmura, ele acaba dando um concerto distônico aos habitantes do inferno.

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Se nós estamos crucificados com Cristo, uma coisa é certa: passamos por uma mudança de cultura. O que cultivávamos anteriormente, em nossa velha maneira de viver, foi substituída por uma nova mentalidade. A murmuração foi trocada pelo louvor, a queixa pela gratidão, a bajulação pelo incentivo e os interesses e vantagens por alegria de servir.

Alguém disse: “quem murmura, não louva; e quem louva, não acha tempo para murmurar”. Aqui está uma das evidências do espírito da cruz – adoração. Portanto, se sou adorador, não posso ser murmurador, pois um apaga o outro. É como a luz e as trevas, se uma entra, a outra sai. É impossível murmurar e adorar ao mesmo tempo.

O salvos foram salvos do pecado e não das provações e tribulações do mundo. Por isso, nada que não seja a glória da Trindade deve ocupar a agenda desses salvos. De tudo, o que mais me encanta em ver a biografia dos salvos, é a sua história de adoração. Se é a noite que faz as estrelas brilharem, são as provações que fazem a adoração, linda.

Mendigos, tanto quem murmura, quanto quem adora, podem ter iguais motivos. O mesmo sofrimento pode gerar gemido em um, e aleluia noutro. Tudo vai depender dos corações. Quem teve o seu coração trocado pela obra da cruz vai prorromper em louvor, enquanto o incrédulo, em murmuração. É isso.

Do velho mendigo da vale estreito,

Glenio.