espírito da cruz 16 – a lei da fé

“Quem vê cara não vê coração”, já diz um velho ditado. No mundão da religião a coisa que tem mais valor é a aparência. Para muitos, atos visíveis são mais atraentes e aceitáveis do que as atitudes subjetivas. Mais vale uma conduta aparentemente exemplar do que as intenções que não podem ser mensuradas pelos nossos sentidos.

Entretanto, as atitudes são os melhores indicadores de como os nossos atos são feitos. Nesse caso, só Deus pode saber o que encontra-se no íntimo do coração.

O que está em jogo na esteira religiosa é um bom comportamento. Mas a fé, no cristianismo, não é essencialmente o programador da conduta, mas, o poder explosivo da nova vida que se manifesta no caráter, e, não, necessariamente, na reputação.

Saulo era um modelo moral dos legalistas. Sua vida, como judeu religioso, era inatacável, enquanto, Paulo, como cristão, sofria a perseguição dos religiosos por ser um homem livre das exigências comportamentais de sua antiga crença farisaica. Acredito que a conduta seja fundamental, se forem legítimas as atitudes.

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Precisamos, antes de tudo saber, que um bom comportamento, sem uma boa atitude, não vale nada para a fé cristã. O cristianismo não é uma forja de formar legalista, como também não é “um deixa como está, para vê como é que fica” do antinominalismo.

A lei da fé não é um código; é uma pessoa. Não são normas que normalmente aprendemos para praticá-las, pelo condicionamento; é Cristo vivendo no cristão, depois deste ter morrido e ressuscitado com Cristo. Por isso, essa vida, não carece de exibição na passarela, uma vez que é a manifestação interior da vida de Cristo que se exterioriza de modo tão natural, como os frutos de uma planta, na estação próprio.

O espírito da cruz tem a ver com esse estilo. Jesus mostrou, por exemplo, que a pessoa que jejua não propala sua façanha. A abstinência de alimentos aponta para uma realidade espiritual que não deve ser demonstrada ao público, além do que, o carro chefe do jejum é a oração, que também deve manter-se em oculto, como um culto à Deus.

Quando digo que é a oração que puxa o jejum, quero dizer que é a comunhão com Deus que nos priva de comer. Estamos tão envolvidos nesse relacionamento, que a comida foi suprimida. Mas tudo isso governado pelo espírito da cruz que não precisa dos holofotes para se expor. Oração e jejum andam juntas, nessa ordem, sem necessidade de uma vitrine para exibirmos nossos talentos ou os êxitos em nossa história.

Embora, Mendigos, a vida com Deus deva ser bem particular, seu efeito chega a outros, não como exibição, mas como influência. Olhem C. H. Spurgeon: A beleza serena e silenciosa de uma vida santa é a influência mais poderosa do mundo, depois do poder do Espírito de Deus.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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