migalhas para mendigos 9 – o morto vivo

“Viver neste mundo é complicadíssimo. Todos os dias temos que tomar alguma decisão que tem consequência e implicações sérias para o nosso futuro. Quer saber meu ponto de vista? – Prefiro morrer”. Foi o que me disse um dia alguém ansioso e deprimido.

Concordei com o sujeito, mas tentei argumentar que deveria haver um tipo de morte em que a gente morre, embora continue vivo. Isto pareceu estranho. – Como morrer e ainda ficar vivo? Não faz sentido! Você está ficando louco?

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Talvez. Tudo isso parece mesmo loucura. Contudo, vamos pensar: todos nós temos uma vida biológica, a vida do nosso corpo, mas ainda temos uma vida que se pode denominar de psicológica, a vida do nosso ego. São tipos de vidas bem distintas.

Li, de um bebê que escorregou das mãos de um médico embriagada que fazia o parto e teve um traumatismo craniano que o manteve em estado vegetativo por mais de 20 anos. Ele era até saudável, biologicamente, mas não tinha uma vivência psicológica. Era um morto vivo. Vivia fisicamente, porém estava morto na sua alma.

Os problemas da ansiedade, angústia, egoísmo, depressão e um tanto de outras manifestações não são propriamente de caráter biológico. Parece mesmo que a coisa toda tem um fundo psíquico. Eu acredito que o furo que faz vazar a nossa energia no cotidiano está na alma. O que você acha? Será que a vida da alma não deve morrer?

– Então, você está dizendo que eu deva perder a minha identidade?

Não é bem assim. Não é perder a sua personalidade. Mas perder a vida que dá vida ao seu ego. É perder o seu controle do vôo e deixar que o Piloto eterno assuma o plano até o pouso. Nossa ansiedade existencial é uma contradição da verdadeira confiança.

Mentes e corações inquietos tomarão decisões incertas e não conseguirão um descanso na graça. A vida psique jamais se descontrai; está sempre na tentativa de vir a comandar, e, deste modo, precisa morrer. Se a vida do ego não for substituída pela vida ressurrecta, a vida de Cristo, não haverá libertação em nossa existência aqui na terra.

A ansiedade é uma característica da vida psique e “ é o resultado natural de centralizarmos nossas esperanças em qualquer coisa menor do que Deus e sua vontade para nós.”  Quem fica preocupado não tem tempo para descansar na providência do alto e acaba pecando contra o cuidado amoroso do Pai. O ansioso não consegue crer.

Para Jesus, aquele que perde a sua psique, na cruz com Ele, vai ser, de fato, preservado pela vida zoe, ou a vida da ressurreição. Mendigos, se vocês morreram com Cristo, para a vida ansiosa, certamente viverão aqui com a vida confiante na suficiência do Altíssimo. Já disseram: “o diabo nos quer ter sempre atravessando torrentes que não existem”. Então, só se for um morto vivo.

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 8 – buscados para buscar

Há alguns jogadores que ficam descontentes porque o técnico não os escolheu para fazer parte da seleção. Tem gente que fica zangada porque o técnico não convocou o atleta de sua preferência. Nos esportes há técnicos demais, cada vez que alguém tem uma opção diferente para um jogo e melindres em excesso, quando aquele que se acha bom, não é convocado. Parece que no reino de Deus a coisa é bem diferente, mas…

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Creio que George S. Bishop foi na mosca tratando a respeito da seleção Divina: “A eleição corta pela raiz a salvação por mérito e obras”. Tenho procurado mostrar aqui, nas Migalhas, que não são os méritos nem as obras que dão suporte à escolha. A salvação de Deus é pela graça, portanto não tem negócio, troco nem troca de favores.

Ainda que eu não saiba como Deus em Seu amor eterno escolheu em Cristo os Seus, eu sei que Ele os escolheu pela graça, pois o apóstolo Paulo nos diz: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça. Romanos 11:6.

Donald MacLeod raciocinou: “A doutrina da eleição não… existe em um vácuo. Ela precisa ser vista no contexto da soberania divina, da depravação do homem e da entrega da fé”. Deus é absolutamente soberano; o homem encontra-se totalmente depravado por causa do pecado e destituído de vida espiritual, logo, só um milagre para que ele tenha fé.

Se Deus não for o soberano na escolha, o homem, ao decidir, pela sua salvação, será soberano, pois Deus irá depender sempre desta ação humana para poder conceder a salvação, e, neste caso, não foi Deus quem o chamou. Sendo assim,  “como cristãos, devemos sempre nos lembrar de que o Senhor nos chamou para si mesmo, não por causa de nossas virtudes, mas a despeito de nossos defeitos.”

Gosto, não por ser irrefutável a comparação, mas, por ser improvável a escolha do animalzinho, apresentada por C. S. Lewis: “os agnósticos amáveis falarão alegremente de como o homem procura a Deus. Para mim, eles podem também falar sobre como um rato procura o gato… Deus encostou-me na parede.” E o pior, todos nascemos ateus.

Não vejo opção para um fugitivo e rebelde contumaz, senão o convencimento da Trindade. Como sou muito limitado, minha única alternativa foi concordar com a evidência bíblica que diz: ninguém busca a Deus, deste modo: “Só quando Deus nos procura é que podemos ser encontrados por ele. Deus é quem busca, não quem é procurado.”

Concordo que o Filho Amado e Eleito do Pai é Cristo e que a nossa eleição está projetada deste a eternidade nEle para os que creem. A questão é: quem são estes? Ora, se a fé não for de todos, como surgem os crentes? Mendigos, se vocês está buscando a Deus, saibam que foram buscado antes.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 7 – a seleção de Deus e a escolha humana

Olá! Vou continuar nesse assunto que tem causado algumas contestações. Sei que é difícil de entender, porém, é bíblico e pertinente. Não podemos fugir dele só porque é árido. Não é o ser humano quem busca a Deus. Agostinho dizia: “Tu nos buscaste quando não te buscávamos; de fato, nos buscaste para que te buscássemos.”

Porém, como já foi dito por Joseph Alleine, um dos homens de Deus do século XVI, “Você está começando de modo errado se discutir primeiro acerca de sua eleição. Prove, de fato, a sua conversão e nunca mais duvide de sua eleição”.

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O convite diz: O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida. Apocalipse 22:17. O outdoor na frente da Casa de Abba diz: entre. Quando você entra, olha para trás e vê no portal, do lado dentro, escrito: eleito desde a fundação do mundo. Mas, só os escolhidos dão crédito ao chamado Divino e entram pela porta que é Cristo.

É fato, muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:14. A pregação é para toda criatura, a escolha da seleção é soberana. “O homem não se converte porque deseja, mas deseja converter-se porque a eleição assim dispôs”, continua Agostinho, e ele vai mais longe: “Deus escolheu-nos não porque cremos, mas para que creiamos”.

Ainda que o escolhido tenha que decidir por essa escolha Divina, a sua decisão não é uma determinação de sua natureza caída. “Deus não nos escolheu pela fé, mas para a fé”, porque o ser humano morto, em delitos e pecados, não tem fé, em si mesmo, e, se a tivesse, tal fé traria mérito para uma salvação que é totalmente pela graça.

Vejam como Arthur C. Custance esclarece isso, com precisão:

“Sempre que há um afastamento em qualquer medida da doutrina da eleição, há também um afastamento do evangelho, pois tal afastamento sempre acarreta a introdução de alguma obrigação da parte do homem em dar uma contribuição para sua própria salvação, contribuição essa que simplesmente ele não consegue prestar.”

Não há nada na raça adâmica que preste e nada que possa contribuir para a sua salvação, senão, os seus pecados.

Se você estiver buscando a Deus, ótimo, mas, saiba, de antemão, que essa busca não é sua. Há um Deus eterno buscando aos Seus, desde a eternidade. Você só poderá buscá-lo porque, antes da criação, você já foi eleito por Ele.

Confira A. W. Pink: “O Espírito Santo faz algo mais em cada um dos eleitos de Deus do que faz nos não-eleitos. Ele opera neles “tanto o querer como o realizar segundo a sua boa vontade”. A decisão dos escolhidos é uma realização ativa da graça plena agindo nos seus corações.

Mendiguinhos, “a salvação não é uma medida precária, mas um alicerce lançado nos céus.”

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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