migalhas para mendigos 6 – a escolha soberana de Deus

Um técnico de seleção futebolista ou qualquer outro esporte, sempre escolhe os seus jogadores com base na excelência. Pelo menos, essa é a premissa no mundo das competições. É preciso escolher os melhores, senão vem a derrota. E é incontestável.

Agora, veja como J. Blanchard explica a seleção da Trindade: “se Deus não escolhesse algumas pessoas sem quaisquer condições, ninguém jamais o escolheria sob quaisquer condições.” Ora, se não é o ser humano quem busca a Deus, como enfatiza a Bíblia, então, Deus escolhe alguns dentre todos aqueles que não O buscam, por alguma razão que a razão não explica. O fato é: a eleição Divina não depende de nossos méritos.

TULIP calvin

Se Deus nos escolhesse por algum motivo que não fosse a Sua soberania, a Sua escolha não seria pela graça plena. Blanchard continua insistindo:

“A soberana eleição de Deus é o molde em que todo o universo está enquadrado.”

Se Deus for soberano, tudo o que Ele fizer obedecerá rigorosamente as formalidades de Sua soberania.

Arthur C. Custance vai um passo a mais: “ou Deus é soberano e a eleição, uma expressão de sua vontade, ou o homem é soberano e a eleição é só uma expressão da presciência de Deus.” Neste caso, quando alguém decide aceitar a Cristo, Deus depende de tal decisão humana para dar-lhe a salvação, sendo a eleição apenas um mero saber prévio de um Deus que não tem escolha, uma vez que tem de aceitar quem o escolheu.

“O amor eterno elaborou o plano; a sabedoria eterna traçou o molde; a soberania eterna decidiu por quem; a graça eterna desce para executá-lo.”  C. H. Spurgeon enfatiza: “creio na doutrina da eleição, pois estou certo de que, se Deus não me tivesse escolhido, eu jamais iria escolhê-lo, e estou certo de que ele escolheu-me antes de eu nascer; de outro modo, ele nunca me teria escolhido.” O Filipão tem direito de escolher a sua seleção pelo mérito; Deus não pode escolher, soberanamente, a Sua, pelo demérito?

Mendiginhos, vou citar ainda dois homens de Deus do passado que não deixaram por menos. Prestem atenção como João Calvino enxergava esse ponto:

“A base para a discriminação entre os homens é somente a vontade soberana de Deus; mas a base para a condenação dos réprobos é o pecado, somente o pecado.”

O que me dizem aqui?

Observemos agora o argumentou do teólogo Augustus H. Strong sobre a eleição: “É melhor louvar a Deus por Ele salvar alguém, do que acusá-lo de injustiça por salvar tão poucos.” O que quis dizer? Que é preferível adorar a Deus, o Todo-Poderoso, que salva a quem Ele quer, do que vê-lo como um Deus fraco e injusto por não poder salvar a todos os que não O querem. É preferível adorar a Deus que nos escolhe soberanamente, a tentar explicar que Ele é incapaz de salvar a todos os que caíram, salvando tão poucos.  Senhor, abre nossos olhos.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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migalhas para mendigos 5 – a negação do inegável ego

Por algum tempo de minha vida eu quis ser alguém. Eu queria ser importante e visto por uma platéia que me admirasse. As minhas carências gritavam por atenção especial.

Foi uma época muito cansativa porque vivia em busca da aprovação dos outros. Se eu fosse reconhecido, isto me dava gás para tentar ser visto e ainda realizar as façanhas que me aprovassem. Mas, se não, que tristeza era ver-me catando os farelos dos falsos elogios, para poder sobreviver como um pseudo artista da decepção.

Alguém já disse que: “quando o eu não é negado, ele, necessariamente, é adorado”. O problema é como negá-lo. Se sou eu quem o nega, eu acabo ficando tão orgulhoso por tal conquista, que, neste caso, a negação torna-se uma negação da ação de negá-lo. Sim, minha vaidade ao negá-lo fica tão evidente que nego que o neguei.

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O ego é inegável por meio da ação do ego. Tudo aquilo que eu faço, mesmo quando faço para negar-me, ganha pontos no meu currículo. Meu auto-esvaziamento pode ser um motivo sutil de me auto-promover. Assim, por traz da minha negação existe um perigo real de ser reconhecida a minha humildade inchada. No fundo, o que busco é ser admirado.

Não creio na seriedade do ego. A Bíblia diz que nosso coração é desesperadamente corrupto e enganoso. É, ou não é?  E, se for? Então, nada do que eu tente fazer encontra-se fora deste diagnóstico. Por isso, não é bom confiar em nada que eu faça por mim.

Alguém pode achar isto muito radical. De fato o é. É a raiz de nossa natureza caída. Somos uma raça podre na essência. Nosso eu não é confiável, nem mesmo, quando ele se desestima, já que não desiste de contabilizar os seus ganhos nas perdas. Só mesmo um gnóstico em seu humanismo pode apoiar o morte do ego promovida pelo ego.

ego

Não creio que eu seja capaz de renunciar-me sem a graça plena realizando a minha morte na cruz com Cristo. Somente um morto pode ser despojado. A negação do meu ego é o produto da minha crucificação com Cristo, realizado, contra a minha vontade, por uma ação soberana da Trindade. Quando, pela graça, creio que fui crucificado com Cristo, aí, e só aí, posso negar o meu ego sem o risco da auto valorização do meu esforço pessoal.

Alguém foi lá na mosca. “A vida oferece apenas duas alternativas: crucificação com Cristo ou autodestruição sem Ele”. Ninguém consegue se esvaziar, sem que antes passe por sua morte juntamente com Cristo. A morte do ego com Cristo é a base da negação do egoísmo. Não mais eu, mas Cristo é a única solução da necessidade de reconhecimento.

Mendiguinhos, não caiam nessa ilusão de que o eu se esvazia sem querer se encher antes de algum prestígio. O cristão é apenas um morto com Cristo que vive pela vida de Cristo, mortificando, pelo poder do Espírito Santo, os feitos da carne. Se não vêem isso, não viram nada da fé cristã.

No amor do Amado,

do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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