migalhas para mendigos 3 – o blefe de um blefado

blefe

Eu nunca joguei truco, mas já vi muita gente jogando. Tem jeito de ser um jogo muito animado. De quando em quando há uma gritaria, e alguém dá um berro: truco! E aí, neste caso, pode ser que alguém esteja blefando. Trucar, então, seria a esperteza do engano.

O mundo vive de aparência. A coisa mais valiosa neste cenário não é quanto se vale ou, se vale quanto pesa, mas, como se pousa. O sujeito se porta como se fosse o cara. É o teatro do faz de conta. Isto é muito interessante para a pessoa idealizada, que se nutre do seu impostor, isto é, do falso eu, construído no imaginário adoecido das sombras.

Entretanto, esse estilo imaginado é blefe de um blefado, no que diz respeito à vida no reino de Deus. Se for verdade que a graça plena seja o favor ao indigno, a honra aos ‘demeritados’, com certeza, nada se pode fazer para merecê-la.

É bizarro ver um mendigo querendo ser um fidalgo na festa de falidos. Essa postura de altivez cabe muito bem nas escolas de samba, onde a fantasia cobre a alma favelada, na expectativa de um momento de glória depois da apuração. No reino de Deus não há espaço para vanglória, nem lugar de pódio para quem foi aceito pelo amor incondicional.

mendigo estiloso

Esta proposta da graça plena fere todo sistema da meritocracia que se move através das correias dentadas nas engrenagens competitivas deste programa teomaníaco, tecido pela serpente no jardim do Éden, onde o ser humano quer se postar como se fosse Deus. Mas é ridículo ver um mendigo de fraque, querendo passar-se por Sua Majestade, o Rei.

Há três coisas que detesto comer: rim, cérebro e coração fingido. Como tenho larga tendência à hipocrisia, não consigo me relacionar bem com quem truca no jogo da vida. Foi Martinho Lutero quem disse: “o cerne da religião jaz em seus pronomes pessoais“, e, digamos: o cerne do evangelho é a ausência desses pronomes na primeira pessoa, por causa da pessoa principal em que o Seu nome está sobre todo nome, Cristo Jesus.

Se estou crucificado com Cristo, não sou eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim. Neste caso, não sou eu quem ajo, é Cristo quem me usa. Neste caso, nada mais me importa, pois toda importância reside n’Aquele que age através de mim.

Quando o ego não foi de fato crucificado com Cristo, sempre vai aparecer, ainda que seja nas entrelinhas, como o ator principal do teatro. O eu é insinuante até mesmo no que diz respeito à sua renúncia. Eu quero ser apreciado; não importa se nos bastidores.

Adrian Rogers disse: “há grande diferença entre negar coisas a si mesmo e negar-se a si mesmo”. É impossível ao ego negar-se. É preciso de cruz no cruel. Porém no reino da graça plena ninguém precisa fingir ser o que não é, uma vez que os aceitos são aceitos e amados assim são, nunca como se idealizam ser. Mendiguinhos, é perda de tempo trucar diante do trono da graça.

 

No amor do Amado do velho mendigo do Vale Estreito, Glenio.

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2 comentários sobre “migalhas para mendigos 3 – o blefe de um blefado

  1. Acompanhando este blog, participando das reunioes de terça na Colina tem sido uma bençao em minha vida, ao contrario do que muitos pensam, nao é comodismo simplesmente sentar e ouvir as belas palavras do pastor…é muito mais que isto. È fazer parte de um corpo, partilhar o pão e juntos vivenciarmos a graça da graça que so pode vir atravez de Nosso Senhor. Fiquemos sempre na paz. Abraco. Izabela

  2. Muito bom, pela graça de Deus tenho mim alimentado muito nesta palavra, no evangelho da graça de Deus. A graça fere o mérito por isso que muitos a rejeitam.

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