quando a graça é insuficiente… (2/2)

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(continuação…) Muitos creem no monergismo da regeneração. Creem que só Deus pode dar vida ao morto em delitos e pecados. O que eles não creem, de fato, é que a vida dos salvos é a vida de Cristo. O cristianismo não se propõe em aperfeiçoar Adão ou reformar a carne. A obra de Cristo na cruz tem como alvo crucificar o velho homem e os seus feitos e, pela graça, substituir a vida adâmica pela vida da ressurreição.

Ouvi alguém argumentando que o novo nascimento era algo elementar. Não tenho dúvida, concordei. É o princípio. Mas aí, disse: precisamos evoluir. Quem vai evoluir e como? Eis a questão. É verdade que a vida cristã é: não mais eu, mas Cristo? E se for, como vamos resolver o problema da santificação? Por graça ou por mérito?

Lógico que é pela graça, mas… Lógico que o mas esvazia a graça. Não me apareça com graça complementada. Embora seja bom lembrar: a graça humilha o ser humano, sem torná-lo inoperante; por outro lado, o exalta, sem fazê-lo presunçoso de nada, uma vez que, nada que não seja gratuito será seguro para os pecadores.

Deus não negocia conosco, nem troca suas bênçãos por causa da nossa obediência. Na verdade, a obediência é uma consequência da graça de Deus, do começo ao fim. Vejamos como o apóstolo Paulo abordou o assunto da obediência.

Assim, meus amados, como sempre vocês obedeceram, não apenas na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele.

Filipenses 2:12-13. (NVI)

Fica claro aqui que a obediência é o resultado da obra de Deus na vida de Seus filhos. Não confundam o rigor acético ou o dever estoico com a obediência movida pelo amor de um filho que foi tratado, no íntimo, por este amor irrestrito do seu Pai.

Por que Jesurun vivia dando coices? Primeiro, por causa da mentalidade servil. O servo obedece por mero dever ou por medo. Neste caso obedece de má vontade e reclamando. O dever pesa e o medo assusta e o cara fica com cara de desgosto.

No reino de Deus não há obediência extraída no braço a fórceps. Além do que a igreja não é Quartel General. A obediência de filho é por amor, com óleo de alegria lubrificando as engrenagens das motivações, sem medo ou obrigação. Os filhos de Deus não obedecem por pressão, nem para impressionar quem quer que seja.

Jesurun dava coices, também, por interesses. A turma do sindicato da “fé” tem muitos direitos e briga com garra por seus prêmios. Esses sujeitos fortes ambicionam pódios e buscam os galardões a qualquer custo, sem perceber que no reino da graça tudo é patrocinado, financiado e garantido totalmente pela graça, de Alfa a Ômega.

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Não creio que os galardões sejam fruto do desempenho de algum morto em Cristo, mas a perfeita dependência daqueles que esperam totalmente na suficiência da graça plena, em suas vidas. Não vejo razão para premiar um defunto, mas vejo sentido no triunfo da fé que foi dada, manifestada e sustentada pela soberania de Cristo em nós.

Jesurun escoiceava porque se sentia forte. Nós também nos rebelamos em face da pretensa autonomia. Deus não necessita de ninguém, mas todos necessitam de Deus, quer admitam ou não. Se, pela graça, somos movidos a ver Cristo vivendo em nós, temos que ser esvaziados até a fraqueza total, a fim de dependermos da plena graça.

Parece estranho e é curioso; quando o povo de Deus se sente forte, pode tornar-se pior do que os malignos: Engordam, tornam-se nédios e ultrapassam até os feitos dos malignos; não defendem a causa, a causa dos órfãos, para que prospere; nem julgam o direito dos necessitados. Jeremias 5:28.

Esta palavra profética, com certeza, deve ser analisada dentro do nosso contexto. Depois de 40 anos como pastor, nesta igreja, quero expressar, aqui e agora, a minha carência profunda de quebrantamento, para mim e para a igreja como um todo.

E quero manifestar a esta comunidade amada que se encontra gorda com a mensagem do Evangelho, que a graça não lhe tem sido suficiente, pois há uma parcela significativa que vive “danada”, sempre dando coices e descontente.

Para tanto, quero, em nome do Senhor Jesus Cristo, deixar como minhas últimas palavras, neste estudo, as palavras do profeta que diz, se não houver verdadeiro arrependimento ou mudança de mentalidade:

Prata de refugo lhes chamarão, porque o SENHOR os refugou.

Jeremias 6:30.

O povo de Deus no passado foi refugado por causa de sua soberba. Bem como nós hoje, corremos o mesmo risco de sermos descartados pelas mesmas razões. E que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Amém.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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