quando a graça é insuficiente… (1/2)

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Mas, engordando-se o meu amado, deu coices; engordou-se, engrossou-se, ficou nédio e abandonou a Deus, que o fez, desprezou a Rocha da sua salvação.

Deuteronômio 32:15.

“O meu amado” é uma tradução do termo hebraica Jesurun, que significa, “correto”, no sentido de caráter ideal. E, nesse contexto, fala do povo de Israel, povo bem-amado de Elohim. O termo é usado em outras oportunidades com a mesma acepção.

Deus ama os seus amados de modo incondicional. Deus é amor e a real expressão do amor é amar. Se a essência da luz for iluminar, a do amor será amar sem um motivo que não seja o próprio ato de amor. Deus não nos ama a fim de ser Ele amado por nós, mas, porque é amor, nos ama sem qualquer razão que não seja o Seu amor.

Isto que vemos aí é mais do que a manifestação da graça comum. Como dizia Robert Louis Stevenson: “Nada existe, a não ser a graça de Deus. Andamos sobre ela; nós a respiramos; vivemos e morremos por ela; ela forma os eixos e os encaixes do universo.” Mesmo sem saber nada, a graça governa as nossas vidas em tudo.

Embora, a graça comum suporte até mesmo a vida do pecador em seus pecados, a vida dos eleitos, pela graça, não tem outro motivo, senão viver totalmente na dependência da graça plena. Porém, aqui ficamos perplexos com a rebeldia dos amados.

Como pode o amado do Amor incondicional dar coices? O que deu nesse amado para escoicear a Quem o ama sem esperar nada em troca? É espantoso!

A escolha de Israel foi por puro amor de Deus. O que estava por traz da vocação desse povo era o afeto de amor eterno. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava. Deuteronômio 7:7-8a.

Sabe-se que o amor de Deus não é uma paixão que surge num encontro na história. Não é algo que acontece por correspondência, uma vez que Sua afeição vem bem antes da criação.

De longe se me deixou ver o SENHOR, dizendo:

-Com amor eterno eu te amei; por isso, com benignidade te atraí.

Jeremias 31:3.

Deus não escolhe os Seus amados porque pretenda ganhar alguma coisa com isso, mas simplesmente porque já os amava na eternidade. Amor que requer troca é comércio ou jogo de favores. Deus não negocia Seus afetos conosco.

Thomas Brooks dizia com precisão: “A única base do amor de Deus é seu próprio amor.” Ele não nos ama para que O amemos, ainda que isto seja o normal, porque nós acabamos amando a Deus movidos pelo Seu amor incondicional por nós. É Seu amor absoluto e irrestrito que nos convence, constrangendo-nos a amá-lo livremente.

Entretanto, é muito estranho o comportamento de Jesurun, dando coices. Esse amado se encontra em estado de rebeldia. E qual é a razão? A gordura. Um cavalo magro e fraco não tem forças para dar patadas. Se um animal estiver extenuado, jamais reagirá com agressividade. A astenia o deixa sem forças para se debater e atacar.

O crente carente, também, com frequência, não é indelicado. É a soberba quem patrocina essa atitude rude de pontapés. “Uma boa opinião acerca de si mesmo é a ruína de qualquer virtude”, pontuava Edward Marbury. Quando nos tornamos fortes, então, tornamo-nos recalcitrantes. Um pouco de autoestima costuma dispensar a estima do alto.

Quando nos percebemos robustos entramos em perigo espiritual. Nada é mais perigoso para a vida de fé do que a autoconfiança. O Senhor disse a Israel sobre as questões ligadas à prosperidade e ao sucesso, logo que essa boa terra fosse possuída: guarda-te, para que não esqueças o SENHOR, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão. Deuteronômio 6:12. É fácil deixar o Senhor quando nos vemos senhores.

O risco de uma salvação pela graça, que não seja plena, é promover uma santificação pelos méritos. Israel, depois que entrou na terra que mana leite e mel, tornou-se nédio e ficou forte, desprezando, em seguida, à Rocha da sua salvação.

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As pessoas que se acham sabidas costumam rebelar-se contra a graça plena. O apóstolo já dizia: o conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Aqueles que supõem conhecer alguma coisa, na verdade, são ignorantes. 1Coríntios 8:1b-2.

Durante mais de 40 anos de ministério nessa igreja tenho assistido, em várias ocasiões, a este espetáculo bizarro. Vi muita gente se declarando salva pela graça tomar o caminho de uma santificação a muque. É a síndrome obesa de Israel, que ficou forte, musculoso e deu coices na plenitude da graça. Vê-se que a graça é insuficiente.

A presunção é a enfermidade da alma mais difícil de ser curada. Como o morto pode ressuscitar? É claro que não pode. Mas, depois de ter recebido a vida, ele é capaz de se desenvolver. Porém, quem vai evoluir na vida cristã? Esta é a pergunta que não pode ficar sem resposta. O que é vida cristã? Sou eu ou é Cristo vivendo em mim? (continua nesta sexta-feira pela manhã)

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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Um comentário sobre “quando a graça é insuficiente… (1/2)

  1. Este é o verdadeiro perigo na vida Cristã! Que o Senhor nos leve a ser servos e mesmo depois de ter feito toda a nossa “obrigação” que possamos nos considerar como servos inuteis.
    Que o Senhor nos leve a um padrao profunda de intimidade com Cristo.
    Deus te abençoe meu querido irmão, que o Senhor te capacite em toda tua caminhada que sei que não é fácil.
    De sua serva em Cristo,
    Rafaella

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