Sobre a apostasia, o abandono da fé

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 1 Timóteo 4:1.

O que é apostasia? Indagou-me a adolescente interessada com o assunto. Isto já era um bom sinal, pois normalmente os jovens não têm o menor atrativo por este tema indigesto, desde que a negação da fé tomou conta da agenda histórica em que vivemos.

Mas, o que é esse fenômeno? É o processo de afastar-se de Cristo, andando-se de costas para Ele. É mover-se no meio cristão à marcha ré, usando uma grife cristã e falando um discurso em nome de Cristo, embora Cristo esteja fora da igreja. É uma vida fraudulenta, que imita o Cristianismo como se fosse uma peça teatral.

A apostasia é causada por uma vida cristã aparente. Algo, semelhante, porém, em essência, diferente. Francis Schaeffer dizia, “precisamos dar à apostasia o verdadeiro nome: adultério espiritual”. É uma mistura de humanismo com cristianismo, desfigurando a realidade espiritual da fé, tornando-a, no máximo, em mero sentimento positivo.

Mas, como tudo isso começou? A base da apostasia é a ausência de amor à verdade. O engano toma corpo quando não acolheram o amor da verdade para serem salvos. 2 Tessalonicenses 2:10b. Quando o amor foi se esfriando em razão do aumento da iniquidade e do relativismo da verdade, então a apostasia foi se manifestando.

A igreja institucional, nesse ambiente relaxado, tornou-se condescendente com as idéias do mundo. Neste caso, o pseudo cristianismo encheu-se de gente como cara de crente, mas sem coração novo. Então, Deus toma uma atitude aparentemente estranho.

Por falta de um espírito bereano de amor à verdade, Deus envia a operação da fraude, para que sejam julgados os que não se ativeram somente à verdade em Jesus. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça. 2 Tessalonicenses 2:11-12.

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Quando nós não damos crédito à suficiência da graça, então, o próprio Deus faz com que a porta do erro se abra e nós sejamos colocados em frente das mais sutis imitações que nos seduzem ao engano, induzindo-nos à apostasia.

A falta de amor à verdade nos deixa expostos aos espíritos enganadores, que nos fazem sinceramente enganados. Seria bom ver como Timothy Cruso entende isso: “a apostasia é uma perversão que conduz ao maligno, depois de uma aparente conversão”.

Tudo começa, neste caso, com conversão externa, sem troca de coração, sem a capacidade de discernir entre o santo e o secular. É a mistura do sentimento com a fé.

Não basta ter o nome de cristão. É preciso ter a mente de Cristo como o fato de nossa morte e ressurreição com Cristo. Não basta dizer: Cristo vive em nós, é preciso viver transparecendo o Seu caráter em nosso modo de ser. Sem a obra da graça na cruz, do começo ao fim, não há Cristianismo de verdade, nem cristão verdadeiro.

Se não amarmos a verdade, Deus vai nos deixar expostos à operação do erro, a fim de sermos julgados pela nossa crença enganosa. O pecado que nos leva à perdição eterna é a incredulidade diante da pessoa e obra de Jesus Cristo. E, neste caso, qualquer coisa que façamos para a nossa salvação, por menor que seja, faz a graça se tornar vã.

Se não crermos na graça de Deus segundo a verdade de Deus, estaremos na via mais perigosa da provação. No tempo do rei Acabe, em Israel, houve um episódio em que o Senhor enviou um espírito fraudulento aos profetas, para, em seguida, julgar o rei e toda a nação. As pessoas serão sempre julgadas segundo a sua crença.

O registro em que Micaías mostra o diálogo entre o Senhor e seres espirituais, aponta certo espírito, dizendo: Sairei e serei espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas. Disse o SENHOR: Tu o enganarás e ainda prevalecerás; sai e faze-o assim. 1 Reis 22:22. Quando não damos crédito a Deus, acabamos acreditando em algo enganoso que vai nos colocar no banco dos réus, em julgamento eterno.

Moisés, também, menciona este teste da crença: Se aparecer entre vocês um profeta ou alguém que faz predições por meio de sonhos e lhes anunciar um sinal miraculoso ou um prodígio, e se o sinal ou prodígio de que ele falou acontecer, e ele disser: ‘Vamos seguir outros deuses que vocês não conhecem e vamos adorá-los’, não deem ouvidos às palavras daquele profeta ou sonhador. O Senhor, o seu Deus, está pondo vocês à prova para ver se o amam de todo o coração e de toda a alma. Deuteronômio 13:1-3.

“Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” A ausência de amor à verdade é o primeiro ingrediente da receita que leva o ser humano à apostasia. O segundo, é a operação do erro enviada por Deus e o terceiro é a imitação. O papel principal do anticristo é tornar-se semelhante a Cristo, para enganar.

Jesus preveniu aos seus discípulos, assim: Porque virão muitos em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo, e enganarão a muitos. Mateus 24:5. São muitos, enganado a muitos. Ninguém declara ser o Cristo se não houver alguns traços que se assemelham a Cristo. Não há engano destituído da semelhança com o autêntico. As mentiras mais argutas são aquelas que mais se parecem com a verdade.

O demônio perigoso vem sempre camuflado em anjo de luz. Satanás de chifre ou rabudo é pouco convincente em termos de anticristianismo. Pode até meter medo em criancinha tola, só não pode é iludir adolescente esperto. O enganoso vem normalmente disfarçado daquilo que é legítimo e verdadeiro. E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 2 Coríntios 11:14.

A Serpente nunca é menos venenosa quando parece ser mais discreta. Há um perigo sutil ao nos descuidarmos da severidade do engano mascarado de autenticidade, uma vez que, a armadilha de pegar incauto encontra-se disfarçada.

A era apóstata se caracteriza não só pela recusa à verdade, como também por preferência à ficção: fábulas, novelas e mitos do entretenimento. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. 2 Timóteo 4:3-4.

Este período da apostasia será a base de lançamento do anticristo. Mas, para que ele se manifeste é preciso que se estabeleça uma fé falsa costurada sobre doutrinas falsas, embora muito semelhantes às do cristianismo.

O apóstolo Paulo nos adverte a respeito desse período cinzento que precede à vinda de Cristo. É um tempo de confusão e engano. É a era dos 50 tons de cinza.

Ninguém, de nenhum modo, vos engane, porque isto não acontecerá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio Deus. 2 Tessalonicenses 2:3-4. O anticristo surge no meio da apostasia.

A igreja de Laodicéia é o centro e o cenário onde florescem o descrédito da fé. É a estufa de onde viceja a cultura “gospel”, que tem nome de cristã, mas é pagã da raiz à copa, uma vez que tudo é pago e a graça é vista com total descrédito.

É a cultura da honra ao mérito e do desprezo ou zombaria ao Cordeiro. Até se fala do Leão da tribo de Judá, propondo uma exaltação dos crentes na terra, só não se percebe que o Leão aparece apenas no fim dos tempos, depois que o Cordeiro ferido já tenha desmontado o sistema da serpente, por meio de sua obra na cruz.

Você quer saber se estamos vivendo em apostasia? Então veja essa frase de Thomas Guthrie: “Se você se descobrir amando qualquer prazer mais do que o gozo das suas orações, qualquer livro mais do que a Bíblia, qualquer casa mais do que a casa do Pai, qualquer mesa mais do que a mesa do Senhor, qualquer pessoa mais do que Cristo, qualquer esperança mais do que a expectativa do céu – cuidado!” E adito: se estivermos pregando algo fora de Cristo, e este crucificado, então estamos descendo morro abaixo no desfiladeiro da apostasia sem controle. Que o Senhor tem misericórdia de nós. Amém.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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3 comentários sobre “Sobre a apostasia, o abandono da fé

  1. Senhor tem misericórdia de nós. Senhor Jesus livra-nos de nós, e com sua graça suficiente firma os nossos passos na tua palavra e não se apodere de nós iniquidade alguma.

  2. Permaneça firme, naquilo que o Senhor te mandou.
    Lucas 9:62
    E Jesus lhe disse: Ninguém que lança mão do arado e olha pra trás é apto para o Reino de Deus.
    Estava aqui orando por vc Glénio e o Senhor colocou essa palavra no meu coração.

    Olhe pra Cristo,
    de sua irmã em Cristo

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