Caminhando a caminhada

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Não existe fim de ano. Há mudança nas estações combinada com os ardis de imperadores espertos. Antigamente o ano só tinha dez meses. O inverno não se contava; era muito frio. Janeiro e fevereiro, os tempos escuros, viviam cobertos de gelo. O ano começava em março e terminava em dezembro.

Com as mexidas no calendário houve uma série de maracutais e o ano vira no dia 31do 12° mês que deveria ser chamado, pelo menos, de dozembro. Mas, tudo faz parte do jogo do poder e de como ponderar o imponderável.

Nunca indague dos outros: quantos anos tem? Talvez: como usa seu tempo? Gosto deste pensamento: “A vida é curta demais para que façamos tudo o que queremos, mas é longa o bastante para que façamos tudo o que Deus quer que façamos.” Isso vai depender do que é prioritário em nossa vida.

Você diz que o tempo passa? Não! o tempo fica, nós é que passamos!” O tempo move nossa história aqui na terra, por isso, temos que saber como usá-lo, senão morreremos sem tempo para viver o tempo de verdade. É lamentável que vivamos movidos por exigências e não a relacionamentos.

E como usá-lo? Gosto desta proposta de Richard Baxter: “Não gaste seu tempo em nada de que venha a se arrepender mais tarde; em nada acerca de que não possa orar pedindo a bênção de Deus; em nada que você não consiga recordar com uma consciência tranquila em seu leito de morte; em nada em que você não possa ser encontrado a fazer, com toda segurança e propriedade, se a morte o surpreender no ato”. Vale a pena experimentar!

Sim, 2013 já se foi; agora é 2014. Tudo bem. O que mudou? Nada! Só estou mais velho e mais consciente de que meu tempo vai minguando no planeta, embora, o portão que me leva à eternidade já se abriu na tumba vazia. Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia. 2 Cor 4:16.

Celebre no amor do Amado.

O velho mendigo do Vale Estreito,

Glenio.

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Fazer, saber, ter ou ser, eis a questão.

To-Guy

Glória Àquele que se encarnou para que sejamos quem somos.

Se eu sou o que faço, então nunca faço o que sou,

porquanto o que faço jamais se transformou no que sou,

ainda que eu seja apenas uma pessoa, embora muitíssimo amada!

Se eu sou o que sei, então deveras não sei quem sou,

uma vez que, o que sei não é o que sou.

Ora, se eu não uma pessoa amada, não sei como isso se fez

em minha vida.

Se eu sou o que tenho, com certeza não tenho o que sou, pois,

se tivesse o que sou, só teria a mim mesmo como a pessoa

amada que é.

Como não sou pessoa com o que faço, nem com o que sei,

muito menos, com o que tenho, então devo me contentar em ser

pessoa com o que sou, ou seja, sendo amado pelo Único que é.

Só esse amor incondicional de Quem é, sem o menor risco de deixar

de ser, pode tornar a pessoa carente, como eu, satisfeita, sendo quem é

no amor eterno que nunca pode mudar.

Neste caso, eu sou quem sou no amor do Amado, que ama por amor

sem um motivo que não seja apenas o Seu amor, acima de qualquer

outro motivo. Veja que o amor, por uma razão que não

seja amar, não tem razão de ser chamado amor.

Na cruz o amor se revela ao encarnar-se no Ser que quer amar e

amar por amor, para que todos os amados doa amor encarnado se

percebam assim tão amados por esse amor, que a única razão de se

verem amados de fato e de verdade seja o amor que não tem outra

razão, senão amar os Seus por esse amor que não tem troca de

favores.

Aleluia! Somos amados. Basta!

Ora, se o amor for assim, então, deixe de lado o velhusco vestido

com seus trajes encarnados e olhe com atenção Aquele que se

encarnou por amor a gente com nós, carentes de afetos eternos.

Feliz Natal desse Amor encarnado e 2014 encarnando amor.

 

Do velho mendigo do vale estreito, mas amado,

Glenio.

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série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte dois)

PECADO 22

 

(continuação…) Satanás, usando a Pedro como o seu porta-voz, queria retirar Jesus do caminho da cruz. Sua tática foi baseada numa estimativa humanista de valoração da personalidade, enchendo-o de direitos. O Senhor, porém, percebeu a sacada, e rechaçou a proposta com veemência: Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Mateus 16:23. A ênfase mais astuta do inferno é conquistar as pessoas mais necessitadas de atenção com prestígio e considerações especiais. Contudo, a mensagem do Evangelho é um manifesto de libertação que não admite qualquer esquema de subserviência. Ainda que o verdadeiro cristão seja um servo de Cristo em favor da sua igreja, ele nunca pode viver e servir em servilismo psíquico. Nenhum filho de Deus deve conviver com os outros, neste mundo, como um vassalo das manipulações humanistas

Uma comunidade em processo de cura não admite permuta de afetos. O amor cristão é universal e sem discriminação. Não existe na casa do Pai nenhum filho singular ou de primeira classe. A reunião dos santos é a comunhão dos mendigos aceitos incondicionalmente pela graça, que vivem uns com os outros sem o imperativo da compensação. Mesmo que a reciprocidade seja uma condição essencial do amor cristão, ela nunca se manifesta como dever categórico ou troca de benefícios. Não existe capachismo, nem agregado de favores no domicílio dos santos. O bem-estar caridoso da igreja se revela na acolhida dos trôpegos e na aceitação irrestrita dos fracassados com o mesmo consentimento com que ela foi aceita em Cristo.

Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como

também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.

Romanos 5:7.

Ninguém, até hoje, foi aceito na igreja de Deus pelos seus méritos, nem permanece fiel pelas suas qualidades pessoais. Todos nós fomos aceitos exclusivamente pela graça e ficamos firmes só pela graça. Sendo assim, “o cristão nunca tem falta do que precisa quando possui as insondáveis riquezas da graça de Deus em Cristo”. Toda evolução espiritual é tão somente pela graça. O estilo da igreja de Deus é parecido com o milagre do tanque de Betesda, a casa da Misericórdia, sendo a congregação de todos os indigentes indignos, mas aceitos irrestritamente pela suficiência de Cristo. Por isso, segundo Agostinho de Hipona, “a suficiência dos meus méritos está em saber que os meus méritos nunca serão suficientes”. E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus. 2 Coríntios 3:4-5.

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O pior problema na história do povo de Deus sempre foi o pecado da elevação espiritual. No fundo do nosso ser, com freqüência, aparece um germe sutil de peculiaridade que acaba se inflamando em altiva demonstração de competência ou à cata da importância pública. A grande maioria dos peregrinos sofre de um apetite exagerado por reconhecimento, que termina gerando conflito e desencadeando um processo de divisão na convivência do povo de Deus.

O pecado da singularidade é um dos mais difíceis de serem percebidos por nós, além do que, a obra mais importante do Diabo é levar-nos a ter um bom conceito de nós mesmos. Contudo, é apropriado considerar o que disse William Law sobre este assunto: “se o homem precisa gloriar-se de qualquer coisa como sua, deve fazê-lo em relação à sua miséria e ao seu pecado, pois nada mais do que isto é propriedade dele.” Não há nada no espírito do homem que se oponha mais ao Espírito de Deus do que essa atitude de excepcionalidade arrogante.

A insatisfação constante, a murmuração insistente e a crítica acirrada são características sintomáticas de uma escravatura capciosa e disfarçada que viaja sorrateiramente nas entranhas de uma alma enfatuada. Mas no mundo em que Cristo viveu plenamente satisfeito em fazer sempre a vontade do seu Pai, é uma vergonha para nós, que confessamos a fé cristã, vivermos descontentes e implicantes. O mau humor da alma é um sinal claro de uma vida prisioneira do egoísmo. A pessoa liberta de si é aquela que vive emancipada do pior tirano, já que a festa do contentamento começa quando nos vemos livres de nós mesmos.

Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si. Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.

Romanos 14:7-8.

Eric Alexander disse com muita propriedade: “pecado não é apenas ofensa que necessita de perdão, mas uma poluição que necessita de purificação”. Ora, se viver para mim mesmo é a base poluente do pecado, então preciso da radical operação da cruz, para que em Cristo possa viver pela graça de Deus, inteiramente para o Senhor como membro do seu corpo. Alguém disse que a história da igreja tem mostrado muitas tolices, incoerências e irrelevâncias no meio do povo de Deus. Mas, disse ele com bom humor, eu amo minha mãe, a despeito de suas fraquezas e rugas. Creio que o amor de Deus é a realidade espiritual mais adequada no universo para evidenciar o caráter de Deus e a vitória sobre a escravatura pacata no pecado protocolar.Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados. 1 João 4:18 e 1 Pedro 4:8.

Nele que nos ama de tal maneira,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – a escravatura pacata no pecado protocolar (parte um)

PECADO 21

Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo:

-Todo o que comete pecado é escravo do pecado.

João 8:34.

Do ponto de vista etimológico, pecar é errar a pontaria, isto é, não acertar no alvo. Numa concepção jurídica do fato, o pecado seria uma infração do código divino, gerando delito e culpa. Enquanto na avaliação teológica, o pecado é o modus vivendi autônomo e apartado de Deus. Alguém sugeriu que “o pecado é a declaração de independência de Deus feita pelo homem”.

Esta atitude de auto-coroação é a responsável pela conduta off-line da raça adâmica em busca da sua autodeterminação. Somos uma geração rebelde e arrogante que pretende dirigir o seu destino num estilo autocrático. A linguagem bíblica para descrever esta insurreição é: todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho. Isaías 53:6a. Aqui vemos uma postura atrevida de isolamento interesseiro ou ególatra que nos mantém presumivelmente autônomos e autômatos. Estes são como ovelhas autocéfalas e tresmalhadas. Separados de Deus, cada um pretende viver às próprias custas. Mas o desempenho que anseia pela autonomia individual é a causa da escravatura mais tirânica do egoísmo humano. É impossível a um ser finito ter uma existência emancipada num planeta dominado por espinheiros e abrolhos. Somos uma espécie escrava do pecado e profundamente soberba que não consegue respirar o ar a cada instante, sem aspirar ao trono da sua governabilidade pessoal.

A oração é o recurso espiritual que melhor identifica a nossa necessidade da direção divina. Aquele que mantém uma comunhão íntima com Deus demonstra dependência dele, enquanto a escassez na oração evidencia uma arrogante autonomia. Não é o conhecimento sobre Deus, mas o relacionamento com a Trindade que confirma a nossa filiação e afinidade na família do Pai. O pecado é antes de tudo a altivez teomânica da nossa auto-suficiência. Mas, muitas vezes, essa ufania vem muito bem disfarçada em andrajos. Um mendigo esnobe é extremamente mais ameaçador para a relação saudável no corpo do que um príncipe regente governando no seu trono.

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A auto-estima velada com modéstia causa mais prejuízo do que um déspota em seu posto público. Por isso, a obra de Cristo visa nos libertar da nossa autoconfiança em todas as suas manifestações. A ênfase da mensagem do Evangelho é a morte do pecador com Cristo. Ora, se o pecado é a expressão egoísta de autocracia, a salvação é a operação da graça em nos fazer totalmente dependentes da suficiência de Cristo.Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos para os que vivem, não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. 2 Coríntios 5:14-15. O óbito do Cordeiro é a única trajetória aonde orbita o extermínio da arrogância adâmica.

Sem a morte do egoísmo juntamente com Cristo, não pode existir verdadeira comunhão no corpo de Cristo. O protocolo ritual do pecado visa à maximização dos desejos de reconhecimento e valorização da nossa personalidade. Ser mais, melhor e maior é a pior toxina para o adoecimento da alma ensimesmada. O inchaço do ego é a causa dos desconcertos em qualquer sociedade e agente das heresias nas fronteiras da igreja. Vejam como o apóstolo do amor se refere a um concorrente ao pódio da exclusividade.

Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta

de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

3 João v. 9.

O princípio gerencial de Babilônia é a elevação dos patamares de visibilidade pessoal perante a opinião pública e a comercialização das almas através de estímulos ambiciosos. No mercado dos escravos emocionais se adquire a alma com moeda podre e elogios baratos. No livro do Apocalipse há referência ao comércio de almas que podem ser compradas tanto por dinheiro, salários, propinas, como por atenções especiais, confetes, presentes, banquetes e amabilidades. Assim, uma pessoa carente, volta e meia, é comercializada como escrava pela bagatela da atenção humanitária. Como todos nós somos indigentes emocionais, todos nós estamos sujeitos às normas de corretagem e às leis do comércio de escravos. Há uma multidão de gente carente neste mundo de ostentações, pagando tributos pesados pela valorização estipulada por meio de amizades calculistas, no jogo do poder. Mas é triste ver uma pessoa por quem Cristo pagou um alto preço, sendo negociada por uma cotação ridícula no balcão das pechinchas. (continua quarta-feira)

Nele que nos chama para sermos novas criaturas

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte dois)

PECADO 20

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte dois)

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(continuação…) Se a realidade do conhecimento de todo ser humano tem que passar por algum dos seus cinco sentidos, então a materialização de Cristo, através de um homem perfeito, nos leva a admitir, logicamente, que este homem impecável tem que ser, necessariamente, o Cristo. Ora, se todas as pessoas são falhas, cometem erros morais e vivem egoisticamente, então quem vive de um modo perfeito tem que ser visto como alguém realmente fora do padrão humano comum.

As pessoas normais andam normalmente pisando no chão. Se alguém andar voando a 0,50 cm do piso, sem qualquer dispositivo extracorpóreo, temos que admitir que esta pessoa seja fora de série. Se toda gente é pecadora enquanto Jesus é impecável, não cometendo erros morais, não desobedecendo à lei divina e nem vivendo egoisticamente, então não há opção, Jesus é o Cristo.

Já que Jesus é impecável como pessoa, perfeito em tudo que disse e fez, devemos concluir como o escritor francês racionalista e ateu, Ernest Renan, quando pesquisava sobre a divindade de Jesus, ao dizer: “Rabino de Nazaré, se tu não és Deus, homem também tu não és”.

Quem dentre vós me convence de pecado?

Se vos digo a verdade, por que razão não me credes?

João 8:46.

Crer que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, o Salvador dos incrédulos, é um imperativo da razão e uma necessidade ontológica conclusiva. Não é possível um ser perfeito, ser apenas humano. A perfeição moral, espiritual e a saúde física integral e insuperável de Jesus apontam para um homem além das suas fronteiras humanas. Jesus é a encarnação do Messias que veio salvar a humanidade de sua mania messiânica de querer ser como Deus.

A fé em Cristo é o antônimo do pecado dos pecados. Quem vive, espiritualmente, por conta própria, vive na autonomia pecaminosa da auto-suficiência. Aquele que só depende de Cristo em sua confiança, não será julgado no tribunal divino.

Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado,

porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

João 3:18.

Todos nós nascemos incrédulos em relação a Cristo, logo, todos nós viemos ao mundo já sentenciados e condenados ao inferno. Quem não crê já está julgado. Assim sendo, crer em Cristo é a supressão da pena e a libertação do banimento eterno, por causa da descrença.

O problema que arrasta o ser humano para o castigo eterno no inferno não é simplesmente a transgressão da lei divina, mas a incredulidade referente à pessoa de Cristo Jesus. Neste texto acima ressaltado, ninguém será julgado pelos seus atos certos ou errados, pelas suas obras boas ou ruins, pela sua conduta adequada ou inadequada, mas pela sua fé ou descrença em Cristo. Por isso, eu vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados. João 8:24. O pecado que gera os pecados é não crer que Jesus é Javé.

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Eu Sou é o caráter atemporal de Cristo. Aqui não há passado, nem futuro. Jesus é o presente eterno. Ele é o Eu Sou interminável para a salvação dos descrentes, a fim de torná-los crentes permanentes nele apenas, através da fé dada por ele mesmo. Mas o que peca contra mim violenta a própria alma. Todos os que me aborrecem amam a morte. Provérbios 8:36. A Sabedoria em Provérbios é a própria essência da pessoa de Cristo.

A salvação eterna está em Jesus, o Cristo. Aquele que vive pela fé na pessoa e obra de Jesus Cristo, vive eternamente salvo do pecado dos pecados. Ele não vive mais no ateísmo, ainda que cometa algum delito, mas aquele que não crê em Jesus continua na prática do pecado duradouro. Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3:36.

Tudo o que não procede da fé é pecado. A fé decorre da audiência das palavras de Cristo. Sem Cristo Jesus crucificado não há libertação do pecado, nem a doação da fé, pois ele é o autor e o realizador da fé. Tudo o que o Pai tem para a humanidade pecadora foi proposto em Cristo Jesus, nosso Salvador. E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos. Atos 4:12.

Todo aquele que crê em Cristo de todo o seu coração, não pode viver no pecado dos pecados, pois Cristo, a semente divina da fé e da libertação do pecado, está nele, por isso, todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. 1 João 3:9.

Nele que nos levou para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 7 (parte um)

PECADO 19

O PECADO DOS PECADOS VII

(parte um)

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Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz

não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.

Romanos 14:23.

 Temos trabalho aqui nesta série de estudos com a acepção do pecado apresentada por Jesus, que o define como a incredulidade em relação à sua pessoa. (João 16:9). Para Jesus, pecado é não crer nele, logo, a libertação do pecado é viver pela fé nele.

O apóstolo Paulo alegou que tudo o que não provém de fé é pecado. Portanto, tudo o que procede da fé, com certeza, não é o pecado. Ele também disse que a fé surge quando se ouve a palavra de Cristo. A fé está ligada à pessoa de Cristo, pois ele é o seu autor e consumador. Todos nós nascemos neste mundo onde a realidade é tridimensional e encontra-se contaminado pelo pecado, ateus ou incrédulos no que diz respeito a Cristo Jesus como o Salvador e Senhor do ser humano.

Alexandre MacLaren referiu-se ao tema, assim: “a fé é a visão do olho interior”. Fé (do grego: pistia e do latim: fides) é a firme convicção da verdade, sem a menor necessidade ou evidência de qualquer prova, simplesmente pela irrestrita confiança que se deposita na pessoa que disse a verdade. Ainda que a fé não seja ilógica ou absurda, ela transcende os limites da lógica humana ao se firmar nos preceitos da imutabilidade do Absoluto.

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A ciência precisa da sustentação dos fatos, a fim de dar sustentação aos fatos. Algo só é cientifico se for provado, comprovado e confirmado. Uma teoria não é ciência, ainda que tenha nexo em suas alegações. A fé não é uma teoria, nem uma comprovação de fatos, embora a sua convicção seja inabalável. Enquanto a ciência labora suas demonstrações no terreno físico, a fé elabora sua convicção num plano metafísico. Isto não significa que a fé seja menos real do que a ciência.

A realidade visível deste mundo é constituída primariamente por uma realidade imaterial e invisível. A matéria palpável é formada de átomos, que não podem ser vistos, nem mesmo com os mais potentes microscópios. Talvez, cientificamente, possamos dizer o mesmo que a Bíblia diz, teologicamente:

Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus,

de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.

Hebreus 11:3.

Os cientistas descobriram através das leis matemáticas, físicas e químicas que o átomo é formado por um núcleo de carga elétrica positiva, em torno do qual se movimentam partículas minúsculas e invisíveis de massa negativamente eletrizadas: os elétrons. No núcleo há dois tipos de partículas: prótons, que são eletricamente positivos, e nêutrons, que não têm carga elétrica.

Esta é uma teoria da física quântica comprovada pelo poder da fissura e desintegração atômicas, mas o átomo em sua estrutura nuclear não é, de modo algum, visível. Parece que, neste caso, a ciência e a fé se apoiam numa realidade invisível similar. O poder da anti-matéria é espantoso tanto para a física como para a teologia. A energia invisível do átomo ou o poder imaterial e espiritual da palavra de Deus encontram-se por trás da realidade visível da criação.

A questão básica é que no âmbito da fé não se carece de prova, enquanto a ciência subsiste sempre duvidando, em busca de uma prova. A fé é a ousadia da alma em avistar além do que é possível enxergar, porque distingue com clareza a invisibilidade do poder de Deus.

Para o crente, Cristo é o autor e o consumador da fé. O Cristo espiritual ou imaterial vivendo no Jesus histórico é a sustentação improvável da fé consistente. Assim como não podemos ver a estrutura das partículas atômicas, mas podemos constatar o poder atômico de uma bomba nuclear, assim, também, não podemos demonstrar tangivelmente o autor da fé, embora não possamos negar os seus efeitos práticos na vida dos que creem.

A ênfase, nestes estudos, se baseia no pecado como sendo a incredulidade diante da palavra, da pessoa e da obra de Cristo Jesus. Pecado é não crer em Jesus como o Cristo. É o ceticismo diante de Javé Elohim em sua manifestação humana. É a descrença no Messias encarnado no Jesus de Nazaré. Se eu não viera, nem lhes houvera falado, pecado não teriam; mas, agora, não têm desculpa do seu pecado. João 15:22. Depois da corporificarão de Cristo, a humanidade perdeu a condição de explicar o seu ateísmo em virtude da imaterialidade divina. Deus se tornou concreto.

Nele que nos salva de si, por si e para si,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte dois)

PECADO 18

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte dois)

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(continuação…) Como temos visto nesta série de estudos, o pecado dos pecados é não crer em Cristo. Logo, aquele que crê em Cristo não precisa se justificar dos seus pecados, uma vez que já foi justificado pela sua obra no Calvário. Precisa sim, arrepender-se de si mesmo e confessar-se incrédulo. Além disso, não precisa ser aceito pelas suas obras de justiça própria, nem santificado por meio de sua atuação, visto que até as nossas obras são geradas em Deus. Aquele que faz o bem se chega para a luz, a fim de que sejam manifestas as suas obras, que têm sido feitas em Deus. João 3:21 (TB).

Nós não somos salvos pelas obras de justiça praticadas por nós, nem santificados pelas nossas boas obras. No processo da nossa santificação, por meio da vida de Cristo, conduzida pelo Espírito Santo, em nosso espírito, nós manifestamos boas obras, em razão da apropriação da vida divina em nosso novo coração, pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas. Efésios 2:10.

Toda a nossa vida espiritual depende de Cristo, do começo ao fim. Errar o alvo é não estar sujeito pela fé à pessoa e obra de Cristo. Enquanto vivermos neste corpo corruptível, nós não obteremos a perfeição em nosso viver. Paulo tinha consciência disto muito bem:Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Filipenses 3:12.

O apóstolo Paulo tinha convicção de que Jesus já o havia conquistado, não obstante ele ainda não se encontrava pronto. Ele se via como uma obra inacabada. Era uma pessoa em processo de construção. Contudo, a sua peregrinação tinha um alvo firme e imutável: Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Filipenses 3:13-14.

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Ainda que Paulo não fosse uma pessoa completa e acabada, era alguém que dirigia sem o olhar fixo no retrovisor, olvidando-se do seu passado, mas avançando sempre para o seu alvo, Cristo. Aqui vemos um pecador vivendo sem pecar, isto é, sem errar o alvo. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Filipenses 3:15. Parece um paradoxo: Paulo não é perfeito, mas é perfeito. Só parece. Ele não era perfeito em si, todavia o seu alvo perfeito era perfeitamente o seu único alvo.

Ora, se pecar é errar o alvo e o alvo de Deus para o ser humano é Cristo Jesus, então viver no pecado é não crer em Cristo como o seu exclusivo e satisfatório Salvador e Senhor. Aquele que não tem como seu alvo crer e depender apenas de Cristo para sua salvação, santificação e glorificação, vive no pecado, sem a perfeição de Cristo como a sua garantia eterna de perfeição.

Jó era um homem justo em sua justiça de aspecto imaculável, mas não cria suficientemente na justiça legítima de Javé para a sua plena justificação. Ele passou a maior parte do livro se justificando diante das acusações dos seus amigos justíssimos. Só quando Eliú, o seu amigo gracioso, começou a falar da misericórdia de Deus, Jó se calou, para depois ouvir Javé falar com ele.

Depois disto, o SENHOR, do meio de

um redemoinho, respondeu a Jó:

Jó 38:1.

Javé sabatinou aquele justo indignado com setenta perguntas, e ele, justamente, tirou zero como nota de aprovação. Sem mérito para ser aprovado, ele se confessa como indigno e reconhece que falou do que não entendia. Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca. Jó 40:4. Aqui está o boletim de qualificação dos discípulos de Javé. Quando eles são reprovados em seus valores pessoais, então serão aprovados pela graça de Deus em Cristo.

Quando o homem é um nada diante o trono de Deus, Cristo é tudo para ele. Jó não se arrependeu de coisa alguma errada que tivesse praticado, mas arrependeu-se de si mesmo em sua autoconfiança. Ele havia errado o alvo crendo em si e afirmou: eu conhecia Javé só de ouvir falar. Toda a sua teologia era teórica e através de terceiros. Eram noções da escola dominical e não de relação pessoal com Deus. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia perdido o alvo de Deus de vista. O pecado dos pecados é a autoconfiança evidenciada na justiça própria e esta é pesadíssima. A salvação do pecado é olhar para Cristo como o único alvo de Deus e este fardo é de pouco peso. Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os limites da terra; porque eu sou Deus, e não há outro. Isaías 45:22.

No amor sempiterno de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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série do PECADO – o pecado dos pecados 6 (parte um)

PECADO 17

O PECADO DOS PECADOS VI

(parte um)

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Se pequei, que mal te fiz a ti, ó Espreitador dos homens?

Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?

Jó 7:20.

Como um pecador pode indagar ao Santo: — se pequei? A raça de Adão encontra-se profanada pela descrença. A criança já nasce atéia. O pecado, antes de tudo, é a incredulidade em face da palavra de Javé Elohim ou Jesus Cristo. Jó, como todos os seres humanos, é um pecador, mas o seu problema principal era a justiça própria que o tornava aparentemente auto-suficiente.

Chata’ é a palavra usada no texto hebraico para pecar. Um dos seus significados é cometer erro na pontaria, fazendo com que o pecado seja definido como errar o alvo. Atirar fora da mira.

Jó estava injuriado com tudo o que vinha lhe acontecendo e questionou com aspereza: se errei o alvo, por que fizeste de mim o teu alvo, ó Intrometido na vida alheia? Viver por conta própria é a primeira evidência do pecado. Ele era um autônomo e não enxergava a sua justiça pessoal como o seu entrave, mas percebia que Deus era um bisbilhoteiro. Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito. Apesar do meu direito, sou tido por mentiroso; a minha ferida é incurável, sem que haja pecado em mim. Jó 34:5-6.

Deus fez de Jó o seu alvo porque Jó havia errado o alvo de Deus. O alvo divino para o ser humano é Javé Elohim ou a pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo. Errar o alvo é pecar, e pecado é não crer em Jesus. Quem confia em si mesmo, não confia em Cristo. Quem confia em Cristo Jesus não confia em si mesmo por hipótese alguma. A autoconfiança é o pecado mais perigoso. Jó se baseava em sua justiça, logo ele não precisava ser justificado por Javé.

Quem se defende não carece da defesa de Deus. Aquele que se basta é tolo bastante ao tentar dar um basta em Javé. A descrença em Jesus é, normalmente, a alavanca para a crença em si mesmo. Quem nega a graça da redenção se envolve na desgraça da auto-aceitação. Achas que é justo dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus? Jó 35:2.

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O ser humano erra o alvo quando perde de vista a pessoa de Jesus. Todos os que se justificam não podem ser justificados. Davi, na tipologia de Cristo, afirmou o que só Jesus pode assegurar em plenitude: Retribuiu-me o SENHOR, segundo a minha justiça, recompensou-me conforme a pureza das minhas mãos. Salmos 18:20. Na verdade a justiça de Davi aqui é uma flecha em direção ao alvo de Deus que é Cristo Jesus. A justiça humana não passa de trapo de imundícia (Is 64:6).

Aquele que se justifica peca, errando o alvo. Aquele que é justificado por Cristo, acerta na mosca o alvo de Deus para o ser humano. Se alguém errar o alvo de Deus, que é Cristo, Deus fará dele o seu alvo, a fim de levá-lo a acertar a pontaria. Quando Jó voltou-se para si mesmo, Deus se voltou para ele, enviando-lhe Satã com o objetivo de realizar a obra da desconstrução de Jó. O sacrifício do Cordeiro justifica o pecador indigno, mas só o sofrimento pesado pode arrastar o justo em sua justiça para a fonte da justificação em Cristo.

Uma pessoa cheia de si mesmo é um alvo para Deus esvaziá-la na cruz com Cristo. Uma pessoa esvaziada pelo Espírito Santo de Deus tem como alvo a pessoa de Cristo para sua justificação, regeneração, santificação e glorificação. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor. 1 Coríntios 1:30-31.

Errar o alvo é confiar em si mesmo. Acertar o alvo é confiar em Cristo. Saulo foi um autoconfiante e sabia disto ao dizer que ele era irrepreensível quanto à justiça da lei. Ele foi um religioso impecável, uma pessoa corretíssima, até considerar tudo como refugo por causa da sublimidade de Cristo, a fim de

ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé.

Filipenses 3:9.

Jó, Saulo de Tarso e o centurião Cornélio foram homens justos legalmente, embora todos eles precisassem ser justificados pela graça de Deus em Cristo. Ser íntegro não significa ser salvo por Cristo. Há muita gente incorruptível, honrada e moralmente adequada que ainda não foi perdoada do seu pecado de incredulidade em relação à pessoa e obra de Jesus. O que nos leva à perdição eterna não é tanto o pecado da transgressão da lei e sim o pecado de descrença em Jesus. (continua quarta-feira…)

Na eterna graça de Cristo,

o velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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