série do PECADO 01.22 – o pecado antes do pecado I

PECADO 01

O PECADO ANTES DO PECADO

Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniquidade em ti. Ezequiel 28:15.

Tudo o que Deus criou era perfeito. Elohim é o nome do Criador que jamais será uma criatura. Este nome é o plural da Divindade. A Bíblia aponta para um Deus triúno ou o ser coletivo do Divino. Deus é único, mas não é solitário, além de ser eternamente solidário. A Trindade é o plural das vontades e o testemunho de uma unidade governamental. Há um só Deus manifesto em três pessoas vivendo um só propósito. O Deus trino, se bem que triúno, nunca foi criado. Se ele fosse criado não seria Criador e sim criatura. A causa que tem causa nunca será uma causa não causada.

Ora, se não houver a causa que cause tudo sem que tenha uma causa que lhe tenha causado, então não haverá o Criador, pois tudo será criatura, já que toda causa tem a sua causa. Elohim é a causa sem causa e o Criador de tudo. Sendo ele perfeito como Criador só poderia criar uma criatura perfeita, como criatura. Mas a criatura perfeita, dotada de vontade própria, poderia querer ser como o Criador. Ela nunca poderá ser o Criador, pois ela é de fato uma criatura, embora possa desejar ser como o Criador.

O Criador será sempre o Criador, uma vez que, por necessidade ontológica, isto é, do ser enquanto ser, neste caso, o ser Criador não poderá ter causa, e ainda, por imperativo lógico, é uma causa sem causa causando todas as causas, pois se tivesse alguma causa seria uma criatura causada e não o Criador causador.

Por outro lado, a criatura sempre será criatura, já que é uma causa causada e não a causa causadora. Contudo, a criatura em sua presunção conta com a chance de se apresentar na pretensão de equivalência ao Criador. Mesmo sendo uma criatura, ela tem a faculdade de ambicionar ser como o Criador.

Antes da concepção do átomo houve a criação sem retoque do mundo imaterial. A realidade espiritual precede a realidade física. Os seres angélicos foram criados primeiro do que a matéria. Deus evidenciou uma ordem de tronos antes de criar a ordem dos elétrons, prótons e nêutrons. A existência incorpórea vem antes da mecânica quântica.

Na hierarquia da organização espiritual foi criado um Querubim guardião dos arranjos celestiais, um ente luminoso cheio de sabedoria e formosura. Entretanto, este ser denominado de Lúcifer, movido por sua ambição pessoal e não satisfeito em ser criatura, tenta escalar o trono do Criador e assentar-se como Deus. Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. Isaías 14:13-14. Sua ideia é subir, ascender, exaltar-se.

Este personagem angélico lindo e pleno de predicados foi criado perfeito como criatura, mas ele não era o Criador. Como já vimos e por exigência ôntica, isto é, do ser em si mesmo, só o Criador não tem causa. Mas Lúcifer não aceita a sua condição de criatura e quer ser o Criador.

Além do que este assunto é também difícil de entender. Como um ser perfeito, vivendo num ambiente perfeito em companhia de seres perfeitos poderia ficar insatisfeito em ser o que era? Parece que o problema encontra-se na vontade. Ele ficou inconformado por ser uma criatura e quis ser o Criador. Ele foi criado como um Querubim de alto nível, mas quer ser o Criador Supremo e a causa de todas as causas.

Uma criatura perfeita querendo ser a perfeição do Criador triúno faz aparecer em si mesma a iniquidade, ou seja, o inconformismo de ser o que é querendo ser o que nunca será de fato, a ponto de se insurgir e comandar uma rebelião que arrastou um terço dos anjos.

A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais ele lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse.

Apocalipse 12:4.

Antes de haver o ato de rebeldia, Lúcifer fez nascer e cultivou uma atitude arrogante de insatisfação ingênita, isto é, gerada por ele próprio e em si mesmo, que desencadeou a obstinação hostil de uma criatura inconformada e incontida. Esta pose atrevida pode ser designada como o princípio da iniquidade e a madre enrustida do pecado. Antes do seu ato de oposição houve um anseio de auto-coroação e independência do Criador.

A Bíblia é categórica quando afirma que o pecado surgiu em razão de uma tentação e que esta nasce dos desejos incontroláveis do ser tentado: Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Tiago 1:13-15.

(continua quarta-feira)

O velho mendigo do vale estreito, Glenio.

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