CÁ DE BAIXO OU LÁ DE CIMA?

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Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou. João 8:23.

Jesus diz aqui que há dois níveis de existência: o de baixo e o de cima. Todos nós já nascemos em um mundo de baixo, caído. Somos da terra e vivemos ao rés do chão. Esse mundo inferior vive na possibilidade da depressão de um ego sujo e sujeito às ambições altivas por trás da máscara da face.

O planeta despencado é o terreiro onde brotou aquele pecado sutil que propõe tornar o ser humano como se fosse Deus. Assim, a turma cá de baixo se exercita ao máximo na tentativa de alcançar o terraço lá de cima, na prerrogativa de sua grandeza. Entretanto, essa prostração não nos deixa prostrados ou abatidos, mas sim, totalmente emproados.

Somos uma raça caída, sim, embora nos apresentemos bem caiados com a tinta-soberba da celebridade. Fingimos até mesmo ser mendigos, mas nas entrelinhas, o que cobiçamos é ser de fato Sua Alteza. Sofremos nas entranhas, com o nosso nanismo, sonhando sempre em viver no corpo corpulento de um gigante. Que apetite voraz nós temos pela notoriedade!

A gente do nível caído nunca se nivela por baixo. Comporta-se como criança birrenta, sempre aspirando ao pódio. A luta pelo trono e a trama pelo poder são características da inconfidência maneira que corre pelas veias do velho Adão. É complicado o caminho do esvaziamento. O apetite da inveja é voraz.

Todos os que nascem neste mundo, nascem caídos, mas inchados. Somos todos cá de baixo e com baixa estatura, contudo vivemos como se estivéssemos por cima, como se fôssemos donos do universo, obesos de nós mesmos e cheios de direitos. O ciúme reina nos bastidores.

O estilo rasteiro instala-se suntuoso no imaginário idealizado de quem se acha o centro do cosmo. O ser humano no pecado é como um verme microscópico tentando vestir o quimono de uma baleia.

Foi por isso que Jesus propôs outro nascimento a um religioso de primeira classe. Ele foi incisivo com esse tipo Vip: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. João 3:3.

Essa conversa não foi com um bandido, nem esse assunto ficou ligado apenas aos marginais. O novo nascimento fala de uma descendência que procede do alto e não está relacionado tão somente às questões da moralidade ou de uma conduta exemplar virtuosa.

Nicodemos era gente fina, era nobre, tinha status, era da elite, mas precisava nascer de cima. Não basta ser correto, é preciso ser confiante apenas em Cristo. Novo nascimento não é uma questão de ficha limpa ou ficha suja, pois todos nós precisamos nascer do alto.

O cordão umbilical deste nascimento proposto por Jesus é a confiança no alto e nunca a autoconfiança naquele que não merece a menor confiabilidade. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. João 3:6. Veja aqui, que são duas realidades bem diferentes. Não confunda o nascimento físico, carnal, com o espiritual.

O nascimento cá de baixo é o da carne que fede a suor e apodrece. Esta, por melhor que seja, é instável e traiçoeira. Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Jeremias 17:5. A autoconfiança é maldita e maldosa.

O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito. Veja, mais uma vez, que são dois nascimentos distintos em origem e distantes em propósitos. Veja também, como Jesus explica o que é espiritual e o que é carnal: O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. João 6:63.

Segundo Jesus, para alguém entrar no Reino de Deus é preciso nascer do alto. Se você estiver lendo este texto ou ouvindo esta mensagem, você já nasceu da carne, mas isso não significa que tenha nascido do espírito. Você pode estar na igreja, mas, necessariamente, não quer dizer que seja uma nova criatura. Como se diz jocosamente: “gato que nasce no forno não é bolo”.

Os dois nascimentos são indispensáveis para o ser humano poder participar do Reino de Deus. Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. João 3:5. Fica claro aqui que é preciso dois nascimentos para entrarmos na família de Abba. Não basta nascer da carne; é preciso nascer do Espírito.

Vamos comparar: Antes de vivermos respirando o ar da atmosfera, nós vivíamos mergulhados no líquido amniótico, no útero de nossas mães. Pode ser que esta seja a visão do nascimento da água. Antes de nascermos no espírito e do Espírito, nós éramos governados pela carne de modo instintivo. Que tal essa interpretação para os dois nascimentos – da água e do Espírito?

Aquele que só nasceu da água é carne, e, consequentemente, sua realidade é cá de baixo, vivendo a dimensão carnal e pensando nas coisas terrenas. Mas, quem nasceu de cima, nasceu do Espírito, logo, vive a vida espiritual cogitando das coisas lá do alto; tendo agora, uma mente nova, com uma nova mentalidade – a mente de Cristo.

Mas, entre o primeiro nascimento, o da carne, e o segundo, do espírito, tem uma morte compartilhada com Jesus. É preciso que a vida da alma contaminada pelo egoísmo do pecado morra juntamente com Cristo na cruz.

Paulo entendeu este ponto de vista muito bem, colando o nosso novo nascimento ou, o nascimento do alto, em união com Cristo. Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Colossenses 3:1.

Para ressuscitarmos com Cristo era preciso morrermos com Cristo. Para morrermos com Cristo era necessário sermos incluídos em Cristo. Para sermos incluídos em Cristo, tínhamos que ser atraídos por Cristo.

A vida da carne encontra-se no sangue. A carne e o sangue não podem entrar no Reino de Deus, nem que a vaca tussa. Por melhor que seja a natureza humana, ela encontra-se corrompida até a medula. A natureza terrena de Adão tornou-se perversa e corrupta em sua essência. O velho homem é inaproveitável; no que diz respeito ao Reino de Deus. Tem que morrer.

Adão, quando criado, tinha uma natureza terrena sem pecado, mas depois da sua descrença, no Jardim do Éden, ele adquiriu uma realidade perversa que é transmitida aos seus descendentes. Essa natureza é denominada de velho homem – escravo e executivo da rebeldia em toda a sua prole.

A questão agora não é o quanto de bondade ou de maldade há na pessoa, mas o quanto ela é autoconfiante ou orgulhosa nos bastidores. Não se trata de conduta certa ou errada, embora isto seja importante, porém, onde cada um está plugado ou recebendo a energia vital de seu modo de viver.

Cristo era de cima, mas para libertar a turma de baixo, contaminada pelo egoísmo desenfreado, Ele teve que vir para cá. A encarnação do Cristo, lá de cima, no Jesus histórico, cá de baixo, tinha como objetivo entrar no império do pecado e da morte e, deste modo, receber o castigo que a raça adâmica merecia a fim de desfazer – movido por um amor sem limite – a caca cósmica do pecado.

Deus, na estatura de um homem, tinha um propósito bem definido: esvaziar o ser humano de sua arrogância de ser como Deus. Jesus, em tudo dependente do seu Pai e vivendo somente pela fé, é o arquétipo do ser humano liberto do pecado e totalmente confiante na suficiência do seu Pai.

Para nós, membros da raça adâmica, nascer do alto não significa perfeição absoluta, mas dependência total dAquele que é perfeito. Não se trata de moralidade irrepreensível, embora a ética dos filhos de Deus seja elevada, pois é do alto, mas de uma vida de inteira confiança na pessoa e obra de Jesus Cristo.

Por outro lado, aqueles que nasceram de cima também precisam ser revestidos do poder do alto, a fim de serem feitos testemunhas de Cristo. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. Lucas 24:49.

O revestimento do poder de cima é a camisa de força que anula qualquer tentativa de se usar o poder carnal como se fosse o poder de Deus.

Uma pessoa gerada do alto pelo Espírito Santo, através de sua inclusão na morte e ressurreição com Cristo; revestida pelo poder do alto, mediante sua inclusão ou batismo no Espírito Santo; pensando os pensamentos do alto, movida pela vida de Cristo que habita em seu novo ser é, realmente, uma nova criação que manifesta o novo estilo de vida – o estilo do alto.

Você já nasceu de novo, do alto? Não estou perguntando se você tem uma vida bonita do ponto de vista moral. O que quero saber é: você confia apenas em Cristo para a sua inteira vivificação espiritual; para a sua justificação diante de Deus; para a sua santificação neste mundo caído; e para a sua glorificação no final das contas? Jesus Cristo, e tão somente Ele, é a única razão de sua vida de fé? Esta é a questão em jogo.

É neste ponto que reside a Vida espiritual de cima. Total dependência do Pai, pela misericórdia. Total confiança na pessoa e obra do Filho, pela graça, e total governo do Espírito Santo em nossas vidas, pelo amor. Tudo isso se resume neste texto: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Glenio

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