A religião humanista versus o evangelho de Deus

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Pois os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos são os meus caminhos, diz Jeová. (Isaías 55:8 TB10)

Este é um assunto que requer luz fulgurante dos holofotes Divinos. Não há muita clareza para uma multidão que vive à sombra da velha tenda judaica. Muito do chamado cristianismo atual, não passa do antigo odre com um verniz brilhante por fora. Parece coisa nova, mas é o mesmo modelo do babilonismo judaico pós-exílico.

Parece que essa profecia, já consumada, ainda não se tornou realidade para uma grande maioria: O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz. Isaías 9:2. Tudo indica que essa gente continua na penumbra dos tipos que serviram de sombra para a realidade. Cristo não é suficiente para uma turma incontável de iludidos ou alucinados. Sei lá!

O que percebo é uma tentativa de reeditar, a todo custo, algo que já ficou para trás. Aquela religião caduca e ultrapassada do mérito ainda continua se infiltrando nas fileiras dos indigentes, dos mendigos indignos, propondo a excelência dos executivos como se fosse um portfólio da aceitação na casa do Amor incondicional de Abba.

Desconstruir esse modelo esnobe não é fácil, pois o velho leviatã se parece mais com um polvo com muitos tentáculos ou com a cabeça da Medusa, do que com um crocodilo magro. Cada vez que se fere um braço sufocante, aparece outro mais ardiloso, do meio dessa lama turva da religião. E eis aí o caos!

Vou procurar, neste estudo, repetir o curso que estamos ministrando na Colina da Graça para um grupo de peregrinos que aceita ser demolido de sua tradição religiosa, enquanto se deleita na suficiência do Cordeiro que acolhe cada um em Seu seio amoroso.

Você sabe o que é religião? A etimologia da palavra talvez nos aponte para a pretensão da criatura tentando se religar com o Criador, pelos seus esforços. Seja o que for, nossos primeiros pais fizeram algo para serem aceitos. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Gênesis 3:7.

Quando o ser humano faz algo para se tornar aceitável diante de Deus, então, entramos no terreno religioso. Aqui neste perímetro, temos o mérito pessoal como moeda de negociação. Por outro lado, quando somos aceitos pelo que Deus faz, neste caso, temos o milagre do Evangelho tomando conta de nossas vidas indignas.

Se, as tangas confeccionadas pelo casal, nu e envergonhado, evidenciam a tal religiosidade humana, as túnicas feitas por Deus, para cobrir a vergonha da dupla despida e transgressora, falam, claramente, de uma Boa Nova: Deus nos aceitou, por inteiro, em sua Graça plena, através de um substituto. Fez o SENHOR Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu. Gênesis 3:21.

Na religião, o sujeito da ação é o ser humano atuando no palco. No Evangelho, esse agente atuante se torna, tão somente num paciente, realmente passivo, pois é Deus quem faz tudo em seu benefício, enquanto ele é beneficiado pelo favor Divino.

Você precisa discernir bem esta diferença. Quem é o executivo? Na religião sou eu ou você. No Evangelho é a Trindade. Se não percebermos com clareza esta questão podemos nos envolver seriamente na religião, achando que estamos lidando com o Evangelho. Mas o suor, o cansaço, a carga pesada e o mau humor vão nos denunciar.

A segunda distinção entre religião e Evangelho fica por conta da aquisição. Caim e Abel são modelos de dois programas distintos. Caim é conquista de Eva, enquanto Abel é um presente de Deus. Coabitou o homem com Eva, sua mulher. Esta concebeu e deu à luz a Caim; então, disse: Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR. Gênesis 4:1.

Vemos nesta cena a mulher como a personagem principal e Deus, sendo um mero auxiliar. Ela adquire o varão com a ajuda de Deus. Você ordena e Deus cumpre. Talvez você conheça algumas sentenças desta proposta: “Deus te ajude”; “Deus ajuda a quem cedo madruga” ou “Deus te acompanhe”; em todas, Ele é apenas o coadjuvante.

Todavia, Abel é uma dádiva. Eva não se viu como obreira. Era só uma agraciada que recebia um presente de Deus. Depois, deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador. Gênesis 4:2. O Evangelho é uma dádiva Divina e nunca uma conquista humana. Se for conquista é religião; se for dom é Evangelho. Certo?

Neste versículo acima vemos também a terceira diferença. O Evangelho tem como ocupação uma atividade sem preocupação. Estamos aqui e agora, bem antes do Dilúvio, portanto, todos os animais eram herbívoros. Pastorear um rebanho naquela época tornava-se um passeio agradável por entre as pastagens. Não havia predadores para atacar as ovelhas e os pastores lidavam com o rebanho como um lazer, divertindo-se. O pastor não vivia estressado na lida do campo.

Mas, uma das consequências do pecado foi lavrar a terra com o suor do rosto. Ser lavrador significava esforço no plantio, cansaço no cultivo, apreensão na colheita, preocupação no armazenamento e vanglória ou frustração nos resultados. O lavrador tem mérito no paiol cheio e desilusão com o fracasso da ceifa. Por isso, ele vive apreensivo.

A religião faz com que o seu executivo trabalhe duro para conquistar, pelo seu mérito, um lugar no altar dos vencedores. Ela só aprova aqueles que se esmeram para trazer uma oferta que lhe tenha custado esforço, lágrimas e suor. É preciso um bom currículo na labuta para conseguir algum resultado no altar.

A quarta distinção da religião e do Evangelho é a oferta. Trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao Senhor. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Gênesis 4:3-4. Os dois têm algo a ofertar. O primeiro oferta o sacrifício pessoal. É o auto-sacrifício ou o esforço do próprio trabalhador que está em jogo. O segundo oferta a vítima, o substituto, focalizando o holocausto do alto, que estava identificado no animal imolado por Deus, para cobrir a vergonha do casal pelado e pilhado de sua identidade entre as moitas, no Jardim do Éden. Era um tipo da Cruz de Cristo, que tem sangue na base.

A oferta humanista dispensa o sangue do Cordeiro, enquanto compensa a sua oblação com o suor escorrido de sua fronte erguida pela soberba do seu ego. Caim trouxe para o altar de Deus os frutos da sua lida, como uma conquista. Ele queria ser aceito pela justiça própria. A religião sempre enfatiza as boas obras como atributos dignos diante de Deus. Assim, seremos salvos pelo que fazemos e não pelo que foi feito por Cristo.

No Evangelho, o cheiro do holocausto queimado e o sangue espargido sobre o altar da Misericórdia, têm marca de oferta agradável. A Trindade nos fez agradáveis a Ela mesma, no Amado. Abel trouxe um sacrifício que apontava para a suficiência dAquele que nos aceita apenas pelos Seus méritos. Nele há somente inspiração, jamais transpiração.

A oferta do religioso é de puro sacrifício pessoal, cheio de méritos, direitos e com um discurso com cheiro de sindicato rural. A indignação é patente quando se vê que a aceitação da Graça nada tem a ver com o desempenho do sujeito, mas com o caráter digno do substituto que inclui a iniquidade do indigno em sua morte.

Agora, aparece a quinta sutileza nas entrelinhas, ao vermos a diferença dos traços marcantes de um religioso e a fisionomia de um filho de Deus. Então, lhe disse o SENHOR: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Gênesis 4:6.

A ira subcutânea e o olhar para o mundo subterrâneo são sinais de uma inadequação diante do trono da Graça. A fisionomia fechada de Caim e seu semblante para baixo denunciam ausência de sua aceitação incondicional. Vejam como os sindicalistas pós-Éden encontram-se sempre azucrinados e com a cara carrancuda, carregando nos pensamentos um defunto em seu ser. O Apóstolo João diz que, quem odeia é assassino.

Não há alternativa: Deus é amor. Quem nasceu de Deus ama, não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas. 1 João 3:12. Uma melhor tradução seria: suas obras foram justificadas? Abel foi aceito no Cordeiro e festejava.

Com certeza, a face exultante de um filho de Deus facilita ver a presença de Cristo arrumando o porão de sua vida, ainda desorganizada e confusa. Quem passou pela operação da Cruz tem motivos suficientes para fazer festa, mesmo em tempos de guerra.

O religioso de modo geral é enfezado e mal-humorado. Por isso, o sexto sinal para identificar o que é religião e o que é Evangelho, vem da tendência que o religioso tem de perseguir, caçoar, menosprezar, zombar e criticar os que foram aceitos pela Graça. Essa gente não aprecia a Graça de Deus, mas gosta mesmo é de provocação.

Há uma perseguição que corre feroz no front e, há também, uma perseguição velada, nos bastidores, mas ambas são cruéis e contrárias ao modelo do Evangelho. Qualquer tipo de flagelo, açoites, ultrajes vem patrocinado por um espírito do anticristo. No Reino de Deus não há lugar para provocações e martírio, sob qualquer pretexto.

O Evangelho nada tem a ver com a religião. São duas realidades diferentes e opostas em suas origens e em seus objetivos. A religião é uma iniciativa humana em busca de sua aceitação diante de Deus pelos esforços da meritocracia, enquanto o Evangelho é uma operação da Graça de Deus, aceitando o indigno pelos méritos de Cristo.

Os pensamentos de Deus não são como os nossos pensamentos, nem os nossos caminhos são como os caminhos de Deus. Nós queremos ser como Deus, e por isso, nos elevamos em nossos ideais narcotizados por perfeccionismo.

Por outro lado, para nos salvar de nossa altivez, Deus se faz como um de nós, esvaziando-se até a morte e morte de Cruz. Neste ponto Ele nos encontrou e nos incluiu em Sua morte para fazer-nos morrer juntamente com Ele, e, desde modo, nos libertar de nossa mania de ascensorista juramentado em busca de altares.

O sétimo sinal é este: enquanto a religião tenta exaltar o ser humano aos píncaros da glória, o Evangelho esvazia Deus até o lugar dos mortos, a fim de nos esvaziar juntamente com Ele, para ganharmos a condição legítima de filhos do Altíssimo, isto é: somos os mais elevados, quando estivermos mais esvaziados de nós mesmos.

Diante da supervisão Divina, quanto maior for a postura de uma pessoa, menor será a sua avaliação. Por isso, Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. 1 Coríntios 1:28-29.

Aqui demos uma vista rápida entre estes dois modelos de vivência no campo “espiritual”, se bem que, a religião nada tem a ver com a vida de cima, é coisa mesmo da terra. Agora você pode se aprofundar com mais acuidade nesta observação. Não se esqueça: se alguém quiser lhe enganar e você for iludido, a culpa é sua. Jesus foi claro e sucinto. E ele lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. Mateus 24:4.

CÁ DE BAIXO OU LÁ DE CIMA?

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Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima; vós sois deste mundo, eu deste mundo não sou. João 8:23.

Jesus diz aqui que há dois níveis de existência: o de baixo e o de cima. Todos nós já nascemos em um mundo de baixo, caído. Somos da terra e vivemos ao rés do chão. Esse mundo inferior vive na possibilidade da depressão de um ego sujo e sujeito às ambições altivas por trás da máscara da face.

O planeta despencado é o terreiro onde brotou aquele pecado sutil que propõe tornar o ser humano como se fosse Deus. Assim, a turma cá de baixo se exercita ao máximo na tentativa de alcançar o terraço lá de cima, na prerrogativa de sua grandeza. Entretanto, essa prostração não nos deixa prostrados ou abatidos, mas sim, totalmente emproados.

Somos uma raça caída, sim, embora nos apresentemos bem caiados com a tinta-soberba da celebridade. Fingimos até mesmo ser mendigos, mas nas entrelinhas, o que cobiçamos é ser de fato Sua Alteza. Sofremos nas entranhas, com o nosso nanismo, sonhando sempre em viver no corpo corpulento de um gigante. Que apetite voraz nós temos pela notoriedade!

A gente do nível caído nunca se nivela por baixo. Comporta-se como criança birrenta, sempre aspirando ao pódio. A luta pelo trono e a trama pelo poder são características da inconfidência maneira que corre pelas veias do velho Adão. É complicado o caminho do esvaziamento. O apetite da inveja é voraz.

Todos os que nascem neste mundo, nascem caídos, mas inchados. Somos todos cá de baixo e com baixa estatura, contudo vivemos como se estivéssemos por cima, como se fôssemos donos do universo, obesos de nós mesmos e cheios de direitos. O ciúme reina nos bastidores.

O estilo rasteiro instala-se suntuoso no imaginário idealizado de quem se acha o centro do cosmo. O ser humano no pecado é como um verme microscópico tentando vestir o quimono de uma baleia.

Foi por isso que Jesus propôs outro nascimento a um religioso de primeira classe. Ele foi incisivo com esse tipo Vip: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. João 3:3.

Essa conversa não foi com um bandido, nem esse assunto ficou ligado apenas aos marginais. O novo nascimento fala de uma descendência que procede do alto e não está relacionado tão somente às questões da moralidade ou de uma conduta exemplar virtuosa.

Nicodemos era gente fina, era nobre, tinha status, era da elite, mas precisava nascer de cima. Não basta ser correto, é preciso ser confiante apenas em Cristo. Novo nascimento não é uma questão de ficha limpa ou ficha suja, pois todos nós precisamos nascer do alto.

O cordão umbilical deste nascimento proposto por Jesus é a confiança no alto e nunca a autoconfiança naquele que não merece a menor confiabilidade. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. João 3:6. Veja aqui, que são duas realidades bem diferentes. Não confunda o nascimento físico, carnal, com o espiritual.

O nascimento cá de baixo é o da carne que fede a suor e apodrece. Esta, por melhor que seja, é instável e traiçoeira. Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Jeremias 17:5. A autoconfiança é maldita e maldosa.

O que é nascido da carne é carne e o que é nascido do Espírito é espírito. Veja, mais uma vez, que são dois nascimentos distintos em origem e distantes em propósitos. Veja também, como Jesus explica o que é espiritual e o que é carnal: O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. João 6:63.

Segundo Jesus, para alguém entrar no Reino de Deus é preciso nascer do alto. Se você estiver lendo este texto ou ouvindo esta mensagem, você já nasceu da carne, mas isso não significa que tenha nascido do espírito. Você pode estar na igreja, mas, necessariamente, não quer dizer que seja uma nova criatura. Como se diz jocosamente: “gato que nasce no forno não é bolo”.

Os dois nascimentos são indispensáveis para o ser humano poder participar do Reino de Deus. Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. João 3:5. Fica claro aqui que é preciso dois nascimentos para entrarmos na família de Abba. Não basta nascer da carne; é preciso nascer do Espírito.

Vamos comparar: Antes de vivermos respirando o ar da atmosfera, nós vivíamos mergulhados no líquido amniótico, no útero de nossas mães. Pode ser que esta seja a visão do nascimento da água. Antes de nascermos no espírito e do Espírito, nós éramos governados pela carne de modo instintivo. Que tal essa interpretação para os dois nascimentos – da água e do Espírito?

Aquele que só nasceu da água é carne, e, consequentemente, sua realidade é cá de baixo, vivendo a dimensão carnal e pensando nas coisas terrenas. Mas, quem nasceu de cima, nasceu do Espírito, logo, vive a vida espiritual cogitando das coisas lá do alto; tendo agora, uma mente nova, com uma nova mentalidade – a mente de Cristo.

Mas, entre o primeiro nascimento, o da carne, e o segundo, do espírito, tem uma morte compartilhada com Jesus. É preciso que a vida da alma contaminada pelo egoísmo do pecado morra juntamente com Cristo na cruz.

Paulo entendeu este ponto de vista muito bem, colando o nosso novo nascimento ou, o nascimento do alto, em união com Cristo. Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Colossenses 3:1.

Para ressuscitarmos com Cristo era preciso morrermos com Cristo. Para morrermos com Cristo era necessário sermos incluídos em Cristo. Para sermos incluídos em Cristo, tínhamos que ser atraídos por Cristo.

A vida da carne encontra-se no sangue. A carne e o sangue não podem entrar no Reino de Deus, nem que a vaca tussa. Por melhor que seja a natureza humana, ela encontra-se corrompida até a medula. A natureza terrena de Adão tornou-se perversa e corrupta em sua essência. O velho homem é inaproveitável; no que diz respeito ao Reino de Deus. Tem que morrer.

Adão, quando criado, tinha uma natureza terrena sem pecado, mas depois da sua descrença, no Jardim do Éden, ele adquiriu uma realidade perversa que é transmitida aos seus descendentes. Essa natureza é denominada de velho homem – escravo e executivo da rebeldia em toda a sua prole.

A questão agora não é o quanto de bondade ou de maldade há na pessoa, mas o quanto ela é autoconfiante ou orgulhosa nos bastidores. Não se trata de conduta certa ou errada, embora isto seja importante, porém, onde cada um está plugado ou recebendo a energia vital de seu modo de viver.

Cristo era de cima, mas para libertar a turma de baixo, contaminada pelo egoísmo desenfreado, Ele teve que vir para cá. A encarnação do Cristo, lá de cima, no Jesus histórico, cá de baixo, tinha como objetivo entrar no império do pecado e da morte e, deste modo, receber o castigo que a raça adâmica merecia a fim de desfazer – movido por um amor sem limite – a caca cósmica do pecado.

Deus, na estatura de um homem, tinha um propósito bem definido: esvaziar o ser humano de sua arrogância de ser como Deus. Jesus, em tudo dependente do seu Pai e vivendo somente pela fé, é o arquétipo do ser humano liberto do pecado e totalmente confiante na suficiência do seu Pai.

Para nós, membros da raça adâmica, nascer do alto não significa perfeição absoluta, mas dependência total dAquele que é perfeito. Não se trata de moralidade irrepreensível, embora a ética dos filhos de Deus seja elevada, pois é do alto, mas de uma vida de inteira confiança na pessoa e obra de Jesus Cristo.

Por outro lado, aqueles que nasceram de cima também precisam ser revestidos do poder do alto, a fim de serem feitos testemunhas de Cristo. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder. Lucas 24:49.

O revestimento do poder de cima é a camisa de força que anula qualquer tentativa de se usar o poder carnal como se fosse o poder de Deus.

Uma pessoa gerada do alto pelo Espírito Santo, através de sua inclusão na morte e ressurreição com Cristo; revestida pelo poder do alto, mediante sua inclusão ou batismo no Espírito Santo; pensando os pensamentos do alto, movida pela vida de Cristo que habita em seu novo ser é, realmente, uma nova criação que manifesta o novo estilo de vida – o estilo do alto.

Você já nasceu de novo, do alto? Não estou perguntando se você tem uma vida bonita do ponto de vista moral. O que quero saber é: você confia apenas em Cristo para a sua inteira vivificação espiritual; para a sua justificação diante de Deus; para a sua santificação neste mundo caído; e para a sua glorificação no final das contas? Jesus Cristo, e tão somente Ele, é a única razão de sua vida de fé? Esta é a questão em jogo.

É neste ponto que reside a Vida espiritual de cima. Total dependência do Pai, pela misericórdia. Total confiança na pessoa e obra do Filho, pela graça, e total governo do Espírito Santo em nossas vidas, pelo amor. Tudo isso se resume neste texto: Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém! Romanos 11:36.

Glenio

OS CONVIDADOS DA FESTA

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O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho. Mateus 22:2

O velho mundo, o mundo imundo desse lixo das ambições, das competições, das paixões cegas, da política sórdida e dos pódios imponentes divide os sujeitos que se sujeitam às suas regras sujas e nojentas nesse jogo baixo, em heróis e vilães; em vencedores e derrotados; em bem sucedidos e fracassados; em iluminados e obscuros.

Essa é uma divisão baseada na hierarquia do mérito, que classifica as pessoas de acordo com as conquistas e valores alcançados. Foi neste contexto rico de virtudes humanas, que Jesus apresentou uma parábola focalizando a “graça vulgar”.

A religião judaica, pós Babilônia, se constituiu numa estrutura fenomenal de peso na excelência, sob a sombra do humanismo satanista de Ninrode, o caçador das almas na fortaleza de Anu, ou no palácio das trevas. Esta é a ditadura da meritocracia.

Segundo Jesus, Satanás é o personal trainer do humanismo, valorizando a autocompaixão da vítima e o desempenho arrogante do ego, acima de tudo. Jesus, porém, voltou-se e, fitando os seus discípulos, repreendeu a Pedro e disse: Arreda, Satanás! Porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens. Marcos 8:33. Pedro havia se enredado nas malhas do direito sindical do velho Adão.

Satanás é o advogado dos direitos humanos do humanismo. Ele insiste na tese da divinização humana. Seu projeto é provar que o ser humano pode se tornar, de fato, independente de Deus. Para isso, ele faz algumas concessões. Por exemplo: permite até uma pregação da graça, desde que seja condicional. É graça sim, mas…

O evangelho é a favor da redenção do ser humano total, porém, é contra tudo o que for de cunho humanista em essência. Deus ama apaixonadamente todos os seres humanos, jamais as suas pretensões de autossuficiência ensoberbecida. Um ser pessoal realmente finito e independente do Deus onipotente é um perigo permanente. Um dos traços que caracteriza essa pretensa independência é a escassez de oração.

O humanismo, em seu fogo teomaníaco, isto é: em sua tendência narcisista de se autovalorizar, ao contemplar sua beleza no espelho do poço, bem como o seu desejo apolíneo de perfeição, sempre aprova, como convidados de honra em suas festas, os iluminados, os bem sucedidos, os vencedores e os heróis. Esse é o padrão do mundo e da religião ilustrada com os lubrificantes humanistas.

Essa casta inchada não gosta da graça plena. Como já disse, até admite a graça vigiada e protegida nos bastidores. Mas será sempre uma graça sob custódia. Para essa gente esnobe é inconcebível uma aceitação incondicional, baseada apenas no amor furioso do Pai. Mas foi exatamente nesse contexto de altivez que Jesus contou essa parábola das bodas, onde o Rei enviou convite para essa turma preconceituosa e a mais maquiavélica que existe neste planeta: os religiosos em todos os seus matizes.

Ninguém pode ser mais velhaco do que um humanista com a máscara polida nas oficinas da religiosidade. Veja que não foi um súdito qualquer que enviou o convite. Foi nada mais e nada menos do que o próprio Soberano. Então, enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas; mas estes não quiseram vir. Mateus 22:3.

E por que não quiseram? O que estava por trás dessa recusa? Não se tratava de um convite de Sua Majestade, o Rei? Como um vassalo pode rejeitar a convocação do seu Soberano? Tem piruá em excesso neste saco de pipoca.

No contexto judaico antigo, pós babilônico, os convidados costumavam pagar pelos custos da festa e, ainda hoje, em algumas comunidades sionistas eles mantêm este hábito de excelência e gentileza. Mas a festa das bodas do filho do Rei não pode ser subvencionada. O assunto em pauta aqui é a graça plena de Deus, que é definida como sendo um favor imerecido e sem qualquer reciprocidade do beneficiário.

Essa rejeição ao convite do Rei cheira à justiça própria. O orgulhoso não recebe esmola alguma, nem o soberbo acolhe a graça em sua plenitude. O rabino Menachem Mendel Schneerson chamava tudo aquilo que era de graça, como se fosse o “pão da vergonha”. Foi exatamente isso que levou os convidados do Rei a recusar o convite.

Jesus insiste na persistência da graça. Deus não desiste do rebelde facilmente, por isso, há sempre um novo convite divino sendo despachado pelo correio dos céus. Enviou ainda outros servos, com esta ordem: Dizei aos convidados: Eis que já preparei o meu banquete; os meus bois e cevados já foram abatidos, e tudo está pronto; vinde para as bodas. Mateus 22:4.

Agora, a coisa ficou bem clara. O banquete tinha um patrocinador exclusivo e a festa tinha o seu dono. O cardápio foi preparado pelo próprio Rei, o “Chefe” da cozinha, que usou como ingredientes o que ele mesmo produzia e, “tudo estava pronto”. Então, o que cabia aos convidados era vir e banquetear-se. Isto aqui é graça plena.

O que aconteceu em seguida é, de fato, muito estranho: Eles, porém, não se importaram e se foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio; e os outros, agarrando os servos, os maltrataram e mataram. Mateus 22:5-6.

Como pode? Que reação bruta essa, diante de um convite tão generoso? O Rei estava apenas oferecendo tudo graciosamente. É uma loucura essa atitude. Mas, essa é, sim, a real resposta do mérito diante da graça imerecida. Perseguição.

Uma parte dessa turma do merecimento se tornou indiferente e foi cuidar dos seus afazeres; a outra, mais ensandecida, ficou fula de raiva e atacou feito fera ferida quem estivesse por perto anunciando a graça plena. Eu não sei bem o que gera essa revolta, todavia, a coisa é realmente feia. Já vi bem de perto algo parecido, não igual, mas é de arrepiar uma estátua de pedra. A fúria dos religiosos acuados é horrorosa.

A graça ofende tanto o mérito, que acaba desencadeando indiferença crônica, por um lado, e revolta aguda, pelo outro. Agora, só uma manifestação soberana do Rei, a fim de intervir nesta situação absurda. O rei ficou irado e, enviando as suas tropas, exterminou aqueles assassinos e lhes incendiou a cidade. Mateus 22:7.

Tudo indica que não há remédio para a antigraça. Para essa religião sem graça, só a morte dos assassinos dos que pregam as boas novas e fogo nas muralhas dos indiferentes. Aqui, me parece, tem um indício apontando para a cruz de Cristo. É imperiosa a morte do velho Adão em Cristo crucificado. Mas, só um milagre! Saulo de Tarso foi um destes antigraça conquistado pelo milagre da suficiência da graça plena.

A graça é assunto para os fracassados. É coisa para falidos. Nada melhor do que uma boa dose de insucesso para prover a falência total do ensoberbecidos.

Os desqualificados não têm dificuldade em receber a esmola da graça. Eles são os verdadeiros convidados para a festa. Então, disse aos seus servos: Está pronta a festa, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, para as encruzilhadas dos caminhos e convidai para as bodas a quantos encontrardes. Mateus 22:8-9.

No salão da festa, no banquete da graça plena, a dignidade dos convidados é a total ausência de méritos. Por que o Rei afirmou que os primeiros convidados não eram dignos? É exatamente pela absoluta falta de indignidade. Somente aqueles totalmente indignos são dignos de participar do ágape da graça.

O Rei então manda buscar nas marginais, os marginais; nas vielas, os vilães; nos becos, esquinas e ruas todos quantos encontrassem, fossem maus ou bons, vadios e ativos, mas que não fossem dignos de méritos, e que enchessem o salão da festa. E, saindo aqueles servos pelas estradas, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e a sala do banquete ficou repleta de convidados. Mateus 22:10.

Na celebração das bodas do Filho do Rei é tudo gracioso. Até a roupa de todos os convidados era presente do Rei. Ninguém poderia entrar no recinto da festa com as suas próprias vestes. Os trajes, na Bíblia, tipificam a justiça. Por exemplo: a justiça do ser humano é vista pelo profeta Isaías como trapos de imundícia. Deste modo, como poderíamos participar desta festa nobre, vestidos com os andrajos da justiça própria?

Foi assim que o Rei percebeu um penetra no salão, quando estava saudando os convidados. Entrando, porém, o rei para ver os que estavam à mesa, notou ali um homem que não trazia veste nupcial. Mateus 22:11. Vejam que os inimigos da graça de Cristo não são apenas os indiferentes e os agressivos, mas também os fingidos. Como pode esse sujeito “esperto” ter entrado pela portaria sem ser visto? É aqui que reside um grande problema. A aparência: o disfarce do lobo em pele de cordeiro.

Muitos usam suas túnicas de justiça humana de tal modo parecidas com a legítima vestimenta da justiça de Deus, que conseguem ludibriar até os seguranças treinados. Nada pode ser mais enganoso do que um fariseu vestido com as roupas do Cordeiro. Contudo, não passa no controle de qualidade. Basta só uma olhadela do Rei, e tudo fica totalmente esclarecido. E perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui sem veste nupcial? E ele emudeceu. Mateus 22:12.

O Reino do Pai é o Reino da graça plena. Neste caso, ninguém participará na festa das Bodas do Cordeiro vestindo seus trajes sujos de justiça própria, nem jamais poderá enganar Àquele que conhece as entranhas da alma e as entrelinhas da moda.

A grande confusão na portaria do salão foi, sem dúvida alguma, a cor do branco e do quase branco da túnica. As cores semelhantes confundem até os mais preparados de todos os porteiros. Mas não se deixe enganar; o Rei não come gato por lebre.

O limite da graça é a sua rejeição deliberada. Agora já não resta opção. Então, ordenou o rei aos serventes: Amarrai-o de pés e mãos e lançai-o para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. Mateus 22:13-14. O que adianta tentar passar por bom moço?

O chamado da graça é abrangente. A escolha é seletiva. Muitos são conclamados e poucos selecionados. Então, qual será o critério? Com toda certeza é a indignidade. Foi assim que o filho caçula, da parábola do Pai pródigo de amor, entrou na festa.

Considere este texto com todo cuidado de quem ama a verdade no íntimo. Veja você, por esse exemplo, quem são os convidados da festa. Peste atenção nos detalhes da história. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se. Lucas 15:21-24.

O convite para a festa, diz: vem. A confirmação do convidado, assegura: eu não sou digno. Então, a ordem na portaria é: entre, bendito de meu Pai. Celebre. Aleluia!

O mendigo, Glenio.