gotas de generosidade IX

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Alguém me buzinou: “tem gente que não dá nada a ninguém; nem morta”. Respondi: – é necessário morrer primeiro para depois dar. Segundo Jesus, o grão de trigo precisa antes de tudo morrer a fim de frutificar. Essa é a lei da semeadura e da ceifa. Só a morte do ego pode patrocinar as dádivas generosas. Não há benevolência sem a falência do egoísmo.

Aliás, vamos alinhar o assunto com a doação de órgãos? Por que será que muita gente não quer doar os seus órgãos depois que morre? O que estaria por trás desta recusa? É no mínimo esquisito um vivo determinando as suas decisões depois da sua morte.

Quem morreu não deveria ter mais vontade para opinar o que fazer com os seus pertences. O problema é que, antes de morrer, essa pessoa já deliberou que jamais doaria parte do seu corpo para beneficiar a vida de alguém. Mas, por que razão?

Descobri que alguns têm medo de ficar deformados na ressurreição final. Foi assim que a jovem me surpreendeu: – se eu doar as minhas córneas vou permanecer cega por toda a eternidade. Indaguei: – como assim? – Cega; não poderei ver, pois doei os meus olhos.

– Quais os olhos que você doou? – Os meus? – Quais os seus? Foi aí que argumentei sobre a renovação das nossas células. Inquiri, – quantos anos você tem? – 29 anos. – Então, as células dos seus olhos já se renovaram quatro vezes. E aí? Qual é o da vez?

Cada sete anos, com exceção dos neurônios, todo o nosso organismo se recicla. Somos novos, novinhos, ainda que estejamos envelhecendo. Se eu morrer agora com os meus 68 anos, qual será o corpo que irá ressuscitar, já que o ralo levou para o esgoto quase 10 vezes o meu organismo? Eu não sou o mesmo que nasci. Que corpo voltará à vida?

Além do que, Deus, quando criou o mundo, criou do nada. Quem criou do nada tudo, pode ficar restrito a um corpo que agora não é quase nada do original? E o apêndice que foi retirado em 54 e a vesícula em 2002? Eu quero intactos na ressurreição. Bobagem.

Que Deus pequeno é este que não restaura os órgãos doados? Prefiro ficar com Jesus que foi capaz de se dar por inteiro para substituir pecadores podres e pobres, incapazes de abrir mão de sua córnea para dar visão a algum ceguinho carente.

Acredito que a questão da doação de órgãos está ligada ao velho egoísmo de sempre. Se não vou usar, outro não vai usufruir do que é meu. Pode apodrecer, mas eu não dou. Há muita gente que vive aprisionada num mundo muito apertado. Tenho pena deste tipo.

Alguns dão por humanismo; por solidariedade. O cristão dá por amor. Mas amor sem uma troca embutida. Por isso é preciso, antes de tudo, a morte do egoísta em Cristo para que ele possa abrir o seu coração à verdadeira generosidade.

Aqui, meus queridos mendigos, vai a receita do evangelho: de graça recebestes, de graça dai. Mateus 10:8.

No amor do Amado, do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

Um comentário sobre “gotas de generosidade IX

  1. Depois que por graça, Deus me permitiu enchergar eu vi as marcas da besta em mim. Manchas de sol, silicone,etc.Tudo para agradar homens.Não que não devamos agradar, mas fazei tudo para a glória de Deus.

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