o sotaque teológico

alma vale amis I

Um dos maiores castigos dados à humanidade neste mundo é a diversidade das línguas. Os bichos, no planeta Terra, têm a mesma forma de comunicação, mas os seres humanos se atrapalham sempre, com a variedade dos idiomas. É a única raça com multidões de dialetos.

Além das linguagens diferentes, há também, no mesmo idioma, expressões localizadas e sotaques regionais, tornando a comunicação uma arte complexa. Veja, por exemplo, as palavras chibolete e sibolete na história bíblica. No livro dos Juízes vemos que 42 mil efraimitas morreram por causa destas palavras. (Leia com atenção Juízes 12:1-7.)

O problema mais sério, contudo, é o sotaque teológico. Há muita gente por aí matando e morrendo porque não sabe discernir entre a pregação da graça plena anunciada de modo gracioso, dessa insana pregação da lei disfarçada de graça. Aqui, todo cuidado é pouco.

Um amigo foi a um restaurante refinado com cardápio excelente e lhe serviram um prato ultra salgado. Ele devolveu o pedido, pedindo ao garçom a opinião do chefe. Nem todo chefe é tão criterioso assim, mas esse veio e confessou que errara na dosagem. Será que os pregadores confessam que puseram peso demais nos ombros dos ouvintes?

Se ao pregar, percebo que o povo saiu com um fardo nas costa, concluo: não lhes falei do evangelho. Toda pregação que gera peso ou cria um sentimento de troca de favores não se trata da mensagem suave e leve de Jesus. Ainda que tenhamos lutas no caminho rumo à Nova Jerusalém, nunca carregamos peso, muito menos, temos preço a pagar.

Renunciar um mundo caído por um Reino eterno não é perda de coisa alguma. Deixar os tesouros do Egito, mesmo que tenhamos que passar por agruras no deserto, não se pode comparar com as riquezas da sublimidade de Cristo. Não me venham com a apelação de Pedro: deixei tudo para te seguir. Qual é a recompensa? – Um barco velho e redes rotas?

Metade do reino pela cabeça de João Batista foi o cachê da dançarina. Porém, nada pode compensar o preço pago no Calvário. Não existe troco no Reino de Deus. Se nego tudo deste mundo, nada pode se equiparar ao valor de uma alma. Não compreendeu ainda?

Ouvi um camelô negociando do púlpito: você tem que pagar o preço. Deus só o abençoa se você saldar o débito. – Gritei em meu íntimo: picareta! Mesmo o ouro refinado, o colírio e as roupas brancas que se pode comprar, é tudo financiado pela graça, ou seja, é tudo de graça, sem dinheiro e sem preço. Cara! não é caro, é graça sobre graça.

Volto ao terreno molhado. Se abro mão de tudo o que tenho neste mundo, por causa do Reino de Deus, não perdi nada que não fosse provisório ou passageiro. A abnegação de tudo que sou e tenho é nada diante da grandeza da herança como filho de Deus. Por isso, não me ponha peso, onde Cristo já levou a carga.

Do velho mendigo do vale estreito, Glenio.

Um comentário sobre “o sotaque teológico

  1. A rede social está a deriva tanto quanto o país mais exuberante e talvez invejado… menos por nós brasileiros cristãos. Obrigada Pastor, precisamos de sua orientação na rede, é urgente.

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