espírito da cruz 60 -você é cego ou o quê?

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Perguntou um deficiente visual a um crente:

– um cego que crê em Cristo pode continuar cego?

– O que você quer dizer com isto? – Indagou o crente.

– Jesus não veio dar vista aos cegos? Se eu cri em Cristo, por que eu não vejo o mundo ainda?

A conversa foi longe entre os dois. O crente, então, explicou:

– Há dois tipos de cegueira. Uma é espiritual e a outra é física. Jesus veio dar vista aos cegos espirituais. A questão, agora, era que tipo de cegueira o cego queria ver solucionado. A visão física é maravilhosa, mas a visão espiritual é extraordinária.

Fane Crosby foi uma deficiente visual que teve os seus olhos interiores abertos para ver a realidade além da terceira dimensão. Dos mais de 6 mil poemas que escreveu e que se tornaram letras de hinos, quase todos falam de sua visão espiritual, sem gemido. Vejam esse: vivo feliz pois sou de Jesus, eu já desfruto o gozo da luz. O que queria dizer com a alegria da luz? Não foi curada, mas era salva. Sua visão de Cristo a mantinha feliz.

Jesus curou alguns deficientes visuais, todavia, deu visão espiritual a todos os que Ele salvou.

A medicina tem ajudado, em muito, na cura de doenças oftalmológicas e uma multidão tem sido beneficiada com a restauração da visão física, embora, ninguém até hoje, tenha recebido a sua visão espiritual, sem a revelação de Cristo.

Fane fala de uma felicidade decorrente dessa visão. Um deficiente visual pode não ser curado de sua cegueira, ao crer em Jesus, mas, em razão de sua real percepção da realidade espiritual, sua alegria é extasiante. Ter a visão de Cristo e permanecer num claustro de murmuração, azedume e críticas é difamar a obra redentora de Cristo.

Ser um cristão e não ser verdadeiramente alegre é paradoxal. Jesus disse aos seus discípulos amados: Tenho-vos dito estas coisas para que o meu gozo esteja em vós, e o vosso gozo seja completo. João 15:11. Nós podemos passar por dias de tempestades e tribulações, contudo não nos faltará o jato da alegria jorrando em nossos corações.

Para a nossa poetiza, a sua felicidade emanava de Jesus. Vivo feliz pois sou de Jesus. Se sou dEle, sou feliz. A nossa felicidade, como filhos de Deus, decorre da nossa dependência de Jesus, em tudo. O segredo da felicidade é, portanto, a plena suficiência de Cristo e a total renúncia de nós mesmos. Isto é o zênite da visão espiritual.

Um deficiente visual pode não ser curado por Jesus, mas todo cego espiritual,  salvo, terá a sua visão mais ampla da realidade divina. Uma das provas de que alguém foi salvo é sua alegria em meio às tribulações. Vejam o que diz o apóstolo: entristecidos, mas sempre alegres. Mendigos, desconfiem da experiência de salvação que não seja regada à aleluia, bem como aquela que for movida à frivolidade. Ser santo e não ser alegre é como ser salvo e não ver a Cristo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 59 – o rei oculto

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O orgulho espiritual é o mais dissimulado dos pecados, pois vem sempre bem camuflado de humildade. Poucos de nós tem a percepção de sua altivez pessoal. Não há mimetismo mais ardilosa do que o orgulho espiritual vestido com trapos e fiapos.

Eu não confio na minha humildade. Muitas vezes me arrasto no discurso, mas, a minha cabeça busca uma coroa no trono. Falo mansamente, embora a minha pretensão de ser visto, esteja gritando no íntimo. Digo que sou mendigo e reajo como Sua Alteza. É um paradoxo essa vida de ser um pobre de espírito. Minha fala é de humildade, todavia, o bafo de um dragão-de-Komodo denúncia meu orgulho espiritual.

O orgulho é o desejo pervertido pela notoriedade. Sou soberbo mesmo quando estou me escondendo sob os mantos da invisibilidade, a fim de que os outros saibam que eu sou um “ilustre” desconhecido. Fico assustado quando tomo uma foto de um grupo em que estou ali no meio e logo me vejo procurando a mim mesmo para olhar como estou.

Tenho pedido ao Senhor que me revele quem sou de verdade. Muitas vezes eu finjo que sou humilde, mas quando vejo minha imagem refletida no espelho do poço, logo percebo o narcisismo da modéstia rubra de brio. Eu acho que tenho direito e que devo ser tratado com deferência. Minha humildade sempre traja roupas de gala.

Vi pseudo mendigo dançando a baiana porque o seu contracheque não refletia a expectativa do seu cachê. Vi a minha conduta arrogante diante da cena julgando o outro com presunção de quebrantamento. Orgulho na ação e na reação – tudo com cara e traje de singeleza. Que coisa mais ridícula é a postura da distinção presumida.

Sto. Agostinho disse: a humildade é a qualidade que aquele que tem não sabe que tem, pois se souber, ficará orgulhoso de tê-la. Orgulho é tão persistente e resistente, que até com a humildade ele quer levar vantagem. É impossível alguém ser humilde, sem o risco de se orgulhar com sua humildade. Ouvi um missionário orar: Senhor, orgulho-me da minha humildade. Como pode? Água e fogo se aniquilam; ou a água apaga o fogo ou o fogo consome a água. Orgulho e humildade são incompatíveis.

Só o espírito da cruz tem condições de produzir a verdadeira humildade, sem promover o orgulho. Não se trata apenas de uma doutrina certa da cruz, mas do espírito da cruz. Se não houver a morte para si mesmo, não há lugar para Deus em nós mesmos. Precisamos mais do que conceitos corretos. Precisamos morrer para os nossos direitos.

Fui a um velório em que a viúva não se conformava com a morte do marido, e, em desespero, arrancava maços de cabelos do defunto. O morto tinha sido um homem muito forte, mas, não esboçou nenhuma reação. Mendigos, nós já morremos em Cristo? No espírito da cruz não há lugar para a soberba.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 58 – dando fruto no buraco

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Spiros Zodhiates disse: As partes mais baixas da terra são quentes e férteis; as montanhas imponentes são frias e estéreis. Não há dúvida que, os lugares baixos podem ser comparados com pessoas espirituais, que se tornam mais férteis, quanto mais ao rés do chão elas estiverem. Não é no cume dos montes, mas no fundo dos vales que há vida fértil e abundante. Não é no alto da passarela, mas no quarto fechado que está o poder.

A vida espiritual, apesar de vir do alto, não se cultiva, na terra, em lugares altos e nem é adubada através dos aplausos de uma plateia. Tanto as boas obras, (esmolas), a oração e o jejum são todos cultivados em lugares discretos, fechados; sem observadores.

Os pregadores estão sempre em perigo por causa dos holofotes. A visibilidade pública do pregador é um problema para sua alma, e, corre um enorme risco de se tornar altivo diante dos elogios. Isso, normalmente, não acontece com intercessores de plantão, pois vivem diante de Deus, mas, anônimos, diante dos observadores.

A carne gosta de exposição. O chamado crente carnal é aquele que procura se exibir nas entrelinhas, de modo camuflado, como se fosse espiritual. Essa carência íntima de ser visto e comentado corre sutil nas veias da carnalidade, gerando muito jogo político; produzindo máscaras de hipocrisia. É por isso que há, na obra da cruz, algo que precisa exercer uma mortificação permanente na vida dos filhos de Deus.

Eu sei da empolgação que os louvores exercem na minha alma carente.

Eu até consigo disfarçar o sentimento de alegria, mas não é fácil esconder a vanglória que habita oculta no âmago do meu coração envaidecido. Mesmo que ninguém a veja e eu a disfarce com uma fisionomia de espiritualidade, a vanglória asilada em meu ser, me denuncia.

Certa ocasião eu percebi a sutileza da minha mente. Recebi um elogio polpudo de um amigo e fiz cara de indigente; com um discurso politicamente correto, me livrei logo da honra, mas, no interior, eu estava me deleitando. Neste momento, o Espírito Santo deu um toque: “estou crucificado com Cristo” – não é você quem vive, mas Cristo em você.

Muitos, de nós, na congregação, se nutrem da opinião alheia e quase nunca do que Deus diz. Estamos sempre buscando a aprovação de alguém e corremos para o altar a fim de sermos vistos e reconhecidos, jamais para adorar Àquele que nos aceitou. Isto é a grande tragédia da igreja de Laodiceia, ou a igreja do final dessa história eclesiástica.

A vida espiritual não é uma questão sensível, mas crível. Não é o que vejo ou o que sinto; é o que creio, e o que creio vem da revelação da palavra de Deus. Mendigos, a fertilidade da vida cristã, não é uma questão de distinção, mas, de dependência plena da graça de Deus. Não se trata de elevação, mas de quebrantamento. Não é notoriedade ou projeção, mas tão-somente Cristo vivendo em nós.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 57 – a vida é complicada

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George Eliot afirmou: O que torna a vida enfadonha é a ausência de motivos. O que torna a vida complicada é a multiplicidade de motivos. O que torna a vida vitoriosa é a unidade de motivos. Eliot foi preciso ao apresentar estes três pontos.

A vida sem sentido é determinada pela falta de motivação. Se alguém não sabe para onde vai, já chegou e não tem para onde ir. Uma vida sem objetivos é com um objeto  sem utilidade. Não tem o menor valor. É como fumaça de incêndio em monturo de lixo.

O poete alemão Goethe disse: uma vida inútil é somente uma morte prematura.  Sai de cena quem não tem alvos. O marasmo é fruto da imprestabilidade. Se nós não nos conscietizarmos do significado da vida e não tivermos motivos significativos para vivermos  adequadamente, somos cadáveres ambulantes. Um sujeito sem rumo vai rumo ao caos.

Por outro lado, a vida vira uma tempestade de confusões, quando temos vários  motivos exigindo decisões simultâneos. Se a ausência de motivos torna a vida sem algum sentido, a multiplicidade a transforma numa babel. A multiplicação dos motivos agita de tal maneira a vida, que a existência perde também o sentido de viver.

O sujeito sem um motivo ou o sujeito dominado por muitos motivos, ambos se tornam como uma oração sem sujeito, objeto e predicado; sem qualquer sentido. Não é o fato apenas da falta de motivos que torna a vida vazia, mas, também, a multiplicidade dos motivos a transforma num turbilhão de inutilidades.

Uma vida complicada é uma biografia sem história que valha a pena. Quando é que podemos descrever a trajetória de uma biruta tonta que gira o tempo todo ao léu dos ventos volúveis e inconstantes? Os muitos motivos desmotivam a mente na construção de uma ordem segura, convertendo o processo numa confusão sem propósito.

A vida enfadonha é pautada pela abstenção de motivo.

A vida complicada, pela abundância de motivos, mas a vida vitoriosa tem como fundamento a unidade de motivos.

Podemos até ter motivos diferentes, desde que possamos afinar todos por uma só nota e um só diapasão. Um orquestra tem vários instrumentos de vários naipes, porém todos devem estar afinados no mesmo tom e com a mesma frequência.

A unidade dos motivos se pauta, no reino de Deus, pela obra da cruz. Não há a menor chance de alinhar as motivações pessoais e grupais, sem a morte do velho homem ou o escravo do pecado. Não há conciliação das vontades fora do Calvário, pois é apenas  em Cristo crucificado que podemos ver nossa co-crucificação e unidade dos motivos.

O espírito da cruz agindo, diuturnamente, em nosso ser, alavanca a unidade de todos os motivos, mendiguinhos, e, nossa motivação se converte, acima de tudo, em que tudo seja feito somente para a glória da Trindade.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 56 – andar de cima e de baixo

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Na vida natural há apenas um plano de baixo num nível caído. Nesse plano é a alma quem dá as cartas, sob a ótica da terceira dimensão. O espírito, morto, encontra-se separado da sua fonte vital, que é o próprio Deus, e, nada sabe do plano de cima.

A alma, com os fios desencapados, sai dando curto circuito para todos os lados naquilo que se convencionou como sendo a espiritualidade. Os sentimentos ditam o papel da religião e os poderes latentes da alma fazem prodígios, em nome de Deus.

Nada pode ser mais equivocado do que apoiar-se na alma para estabelecer a via da vida espiritual.

Tudo que é tridimensional, não tem nada a ver com a vida espiritual, além do que, não são os sentimentos que validam a experiência da vida transcendente. Se você é uma pessoa que nasceu no planeta terra e ainda não nasceu do alto, você não sabe nada a respeito das coisas de cima. Você não tem vida espiritual, ainda que possa ser um bom religioso ou uma pessoa digna e respeitável. Vida espiritual, terrena, é contra-senso.

O apóstolo Paulo fala sobre dois andares da vida. O andar térreo e o andar de cima. O térreo só enfoca as coisas visíveis e temporais. Quem nasceu da carne, como foi mostrado por Jesus, cogita apenas das coisas terrenas, mas, que nasceu do espírito e de cima, tem uma outra visão, pois vê as realidades eternas e invisíveis do segundo andar.

A pessoa natural, aquela que não nasceu do alto, não consegue enxergar nada do plano espiritual e vive tão-somente pelos seus sentidos terrenos, mas aquela que teve o seu novo nascimento vive nos dois andares, vendo as coisas visíveis e percebendo com clareza espiritual, aquilo que encontra-se no plano invisível e eterno.

O filho de Deus é cidadão de duas cidades, a terrena e a celestial. Como uma pessoa nascida da carne, ele é carne, e, portanto, terrenal, mas como alguém que nasceu do alto, ele é espiritual, vive em outra dimensão, vendo as realidades do mundo espiritual.

Como isto tudo aconteceu? Foi um milagre da graça. Jesus ao ser crucificado e ressuscitado, como o grande Pastor das suas ovelhas, assumiu a natureza pecaminosa e perversa das perdidas e crucificou, juntamente com Ele, a vida da alma, a fim de poderem participar do plano espiritual, através da substituição da vida psique, pela vida zoe.

O homem natural tem dois tipos de vida dirigindo a sua existência: – a vida bios, que comanda o corpo e a vida psique que determina os impulsos da alma. Aquele que foi regenerado pelo Espírito Santo tem, também, duas vidas, a bios, do natural, e a vida zoe, do mundo espiritual, que lhe foi dada depois de ter sido crucificada com Cristo, a sua vida psique, na cruz, sendo assim, substituída a motivação da alma.

A alma da nova criatura não é mais governada pela vida psique, mas pela zoe, e, assim, há uma nova identidade e um novo ser.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 55 – do nove ao zero

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A história dos números tem muitas histórias a contar. Vou hoje pensar sobre um dedal da axiologia dos valores. A escala de valores da matemática sobe de um ao nove e fala do que significam os algarismos, suas posições, suas vírgulas, bem como o zero.

Conheço um bando de zeros que quer ser nove, e tenho aprendido de um nove que se fez zero. Nove é o maior algarismo significativo. Nenhum outro algarismo pode ser maior do que nove. Dez é número e não algarismo, pois estes são de um a nove. Aqui há o fim da escala destes. Mais tarde o zero foi feito, pelos hindus, algarismo, mas sem valor.

Zero é sem valor, embora haja um valor em ser zero.

Quando o zero fica ali à esquerda de qualquer algarismo significativo, ele diminui o valor do outro em dez vezes, mas se ele ficar à direita, o valor do algarismo aumenta dez vezes. O zero também tem a condição de multiplicar o algarismo, quanto maior for a quantidade deles.

Exemplo: 9 é o maior algarismo e quando acrescentamos um zero, ao seu lado direito, ele se multiplica por 10. Se pusermos dois, aumenta por cem e assim por diante.

À esquerda o zero tenta desqualificar qualquer valor, à direita, ele enaltece. Se o zero estiver a destra do maior algarismo significativo, o seu significado, significa muito, e se ele estiver do outro lado, a casa cai. Zero à esquerda é um sinistro em qualquer área.

Zero é nada e nada não nadar na olimpíada dos algarismos quando estiver na raia da esquerda. Quando o nada quiser desvalorizar os que têm algum valor, teremos um desastre sinistro do maior canhotismo da vida. Zero à esquerda é o sumiço dos valores.

Interessante! O nove que se fez zero quando encontrou um grupo de zeros que queria ser nove na pescaria, depois duma novela à noite, sem um peixes sequer, mandou que lançassem as redes ao lado direito. À destra do maior algarismo há abundância. Tudo dependeu da submissão e da posição. Este episódio aconteceu duas vezes, no início e no fim do chamado ao discipulado dos zeros, que pretendiam ser os notáveis pescadores.

Para pescar homens, o segredo é ser zero. O problema é que os zeros jamais se conformam em ser nada à direta do maior algarismo. Eles querem ser alguém e esta é a grande crise que afeta a unidade dos relacionamentos. Quando os zeros querem ser o que não são, acabam por desordenar o equilíbrio da equação dos valores.

Toda essa construção aqui tem a ver com a prova dos nove. No reino exato da matemática divina os únicos nove são a Trindade. Jesus é o nove que se fez zero, a fim de desconstruir o desejo dos zeros de querem ser como nove. A operação aritmética que resolve essa questão é menos do zero pregado na cruz e o mais do nove na ressurreição.

Mendigos, o valor de ser zero à direita do Nove é todo o nosso valor como leais discípulos dAquele que na cruz se fez zero.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 54 – teste de caráter

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Alguém me disse: – ladrão não é apenas quem rouba o carro, mas quem furta o parafuso. Desonesto não é só o político que desvia as verbas públicas, mas ainda, aquele que pública, nos seus escritos, o pensamento alheio, como se fosse seu.

Ian Barclay disse sobre isso: – “Uma das características da rebelião espiritual é trilhar caminhos escusos.” O ser caído é um ser corrupto por natureza. Se não vemos sua real identidade, é porque esse ser caído vive como um ser caiado. A aparência fascina…

Tive um professor na universidade, que veio a ser ilustre membro da Academia Brasileira de Letras. Um dia encontrei uma colega, brilhante estudante, que havia feito um trabalho curricular extraordinário para a cadeira daquele professor, e ela me contou que o dito cujo havia colocado o seu trabalho em um dos seus livros como se fosse dele.

Para William S. Plumer – “Nenhuma iniquidade da terra é mais comum do que o engano em suas várias formas.” Nós somos uma fraude do pecado. O ser humano falseia nas mínimas coisas, por isso, a Bíblia é enfática:  maldito é o homem que confia em si.

A honestidade não está vinculada à quantidade, mas ao caráter.

Se eu apanho pouco ou muito, sem o consentimento do dono, eu sou desonesto. Quando deixo de dar o troco de dez centavos ou sonego o imposto de milhares, usando truque e trambique, com recibos mentirosos, sou tão corrupto como os quadrilheiros do petrolão ou mensalão.

Jesus disse: Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. Lucas 16:10. Um jovem estava sendo treinado para vir à presidência da empresa. Um dia, quando servia sua bandeja no refeitório da firma, teve a ideia de esconder um tablete de manteiga debaixo da folha de alface, de tal modo, que não fosse percebida pela pessoa do caixa. Aparentemente nada deu errado.

No outro dia ele foi chamado ao gabinete do presidente, que atenciosamente o comunicou da sua pretenção de torná-lo presidente da empresa. Os olhos daquele moço brilharam e ele ficou entusiamadíssimo com a possibilidade. Então, o presidente concluiu: infelizmente, ontem, quando você preparava a sua bandeja, no refeitório, você colocou o tablete de manteiga debaixo da folha de alface, mas eu estava logo atrás e vi tudo e vi o seu caráter, pois quem não é fiel no pouco, não é fiel no muito.

A história do jovem que escorregou no tablete de manteiga, não é tão incomum assim. A diferença é que, em muitos casos, não somos surpreendidos. A desonestidade é  adâmica e endêmica, mas, nem sempre é percebida.

Mendigos, o espírito da cruz tem a ver com a nossa verdadeira identidade. Não é o que pensam de mim e nem o que tento demonstrar, mas apenas o que sou mediante a obra de Cristo, isto é, não eu, mas Cristo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 53 – o buraco negro

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Li um pensamento que pode ser assim resumido: – procuramos significado para as nossas vidas nas coisas temporais, mas acabamos descobrindo que elas são inúteis e incapazes de trazer satisfação para o nosso vazio existencial. Há um vácuo no íntimo dos seres humanos, que grita por uma resposta além das paredes da terceira dimensão.

Como disse Blaise Pascal, filósofo francês, – nós temos um buraco do tamanho de Deus, em nossos corações, que não será preenchido com coisa alguma além de Deus. É por isso que há uma insatisfação profunda naquele que não recebeu a Cristo como a sua única revelação de Deus, capaz de satisfazer a sua fome de significado.

Nós vamos ficar sempre descontentes se procurarmos nos contentar com tudo aquilo que for apenas temporal. A nossa carência é de cunho eterno. O pão pode saciar a fome física, mas só o Pão espiritual pode compensar o vazio da alma. A vida biológica, se bem nutrida, pode sentir-se bem, mas a vida emocional, se não for bem mitigada, acabará numa angustia crônica de proporções alarmantes. Só Cristo pode matar a fome da alma.

Conheci um jovem que queria muito ser rico. Achava que se ficasse rico, seria a pessoa mais feliz do mundo. Era um jovem trabalhador e experto e acabou ficando rico, muito rico, mas nunca o vi feliz. Hoje, está sempre reclamando de tudo. – Lembro-me que queria ter um carro de rico e quando o encontrei com um carrão desses, ele estava ali se lamentando que o carro não preenchia as suas expectativas.

Anos depois encontrei-o com outro carro bem superior e eu o perguntei: – que tal? Agora você está feliz com esse carraço? – Não, foi a sua resposta seca. O que quero agora é uma Ferrari, enquanto eu não tiver uma, não ficarei contente. Foi aí que lhe disse: você nunca será feliz com nada desse mundo, pois a sua carência é bem maior e nenhum bem terreno poderá compensar o vazio de sua alma insaciável com o que é terreno.

A Bíblia afirma que Deus pôs a eternidade no coração do ser humano, logo, só o que é eterno pode preencher o sentido da vida. Tentar compensar o vazio de Deus com aquilo que é apenas terreno, é angustiante. Nada que não seja eterno pode satisfazer, de fato, a existência humana, pois, “O homem, em sua natureza decaída, é um insatisfeito e frustrado perseguidor de arco-íris.”

Se Jesus não lhe bastar, nada lhe bastará.

A grande necessidade do meu coração é a suficiência do coração de Cristo. O coração do ser humano não poder ser satisfeito sem a plenitude do coração de Deus. “O golpe fatal para o progresso é a auto-satisfação.” Se eu não for satisfeito por aquilo que é eterno, serei um eterno insatisfeito, com tudo aquilo que é temporal.

Mendigos, onde estão fazendo os seus investimentos? – A pessoa satisfeita em Cristo é a única satisfeita no mundo.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 52 – livres pra crer?

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Adão e Eva foram os únicos seres humanos, antes do pecado, que tiveram seu livre arbítrio. Tinham opção para crer ou rebelar-se contra Deus. Podiam escolher entre a árvore da Vida e a da ciência do bem e do mal. Foram criados com a capacidade de crer e também de não crer na palavra de Deus. Só assim eles seriam livres para decidir.

Porém, com o pecado, eles se tornaram mortos, espiritualmente, e escravos da incredulidade radical, sem nenhuma possibilidade de querer a Deus. Daí em diante toda a raça humana tornou-se depravada pelo pecado e incapaz de crer em Deus.

Alguém já disse: “Se um homem caído pudesse desejar, ele mesmo, ser salvo, com a mesma facilidade poderia mudar de idéia e desejar perder a salvação.” Se a nossa vontade, corrompida pelo pecado, fosse a base de nossa decisão salvadora, com certeza ela poderia mudar de idéia no meio do caminho e nós desistiríamos da decisão anterior.

Segundo João Calvino: – “o querer é humano; querer o que é mau é próprio da  natureza decaída, mas querer o que é bom é próprio da graça.” O ser humano caído, até pode escolher entre os ramos do bem e do mal, da árvores do conhecimento, mas nunca escolherá a Árvore da Vida, se antes não for convencido pelo Espírito Santo.

A fé não é um atributo da espécie caída. O que governa a raça adâmica são as realidades sensoriais e a fé não faz parte deste mundo tridimensional das sensações. Ela é o olho que vê o mundo invisível, como bem disse o escritor da carta aos Hebreus:

a fé é o alicerce firme do que se espera e a convicção permanente do que não se vê.

O ser humano no pecado é um incrédulo por natureza. Sendo assim, ele jamais poderá crer, se antes não for vivificado pela Palavra. É preciso ter vida espiritual, para que ele possa reagir de modo espiritual. A fé é concedida pela graça aos crentes em Jesus.

Gosto de pensar nessa semelhança apresentada por C. S. Lewis: o sol nos dá a luz para vermos o sol, assim como Jesus, o Verbo Divino, nos dá a fé para cremos nEle.  Sem a luz não temos a nossa visibilidade e sem o Logos de Deus não temos a nossa fé. Se Jesus disse a alguns crentes: “a tua fé de salvou” é porque eles receberam a sua fé ao “olharem” para o Autor e Consumador da fé. E, se olharam, é porque a graça os fez olhar.

A fonte da fé é Jesus; o veículo da fé é o Logos de Deus; a autoridade da fé a revelação de Deus; a sustentação da fé é o Espírito de Deus; a garantia da fé é a graça de Deus; a validade da fé é a eternidade de Deus e o propósito da fé – os filhos de Deus.

Mendigos, a fé são os olhos que veem a Cristo com os óculos de Cristo e, por isso, suas asas voam até Ele mesmo. Nunca haverá fé sem a revelação de Cristo e não há revelação dEle sem a ação da Palavra e do Espírito Santo. Jesus é o único autor da fé e sem Ele ninguém poderá crer nEle. É isso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 51 – o fim do inveja

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Invidere, no latim, é não ver. A inveja é a cegueira da alma para si mesma, mas vê no outro o que lhe falta em sua biografia. O invejoso é o cego que se percebe invejado e nunca se vê invejando. Ele não se enxerga com olhos malignos, embora, o seu olhar de rabo de olho só consiga notar, no seu invejado, o que lhe desperta a cobiça.  

Os olhos do invejoso – o seca pimenteira – só veem, no êxito do invejado, a sua própria falência e incapacidade de se projetar, refletida no sucesso que ele gostaria de ter. O seu foco, no outro, decorre da sua incapacidade de se perceber inadequado.

O invejoso não se enxerga, contudo enxergue, com os olhos vermelhos, o êxito e as virtudes alheias que ele gostaria de ter e não tem. Ele não se vê, mas vê com nitidez e raiva aquilo que o outro tem de melhor, que lhe falta e se consome ao consumir alguém.

Um olho gordo vê o progresso alheio como uma testemunha do seu fracasso e, aí, tenta denegrir o êxito do outro com a baba ácida de suas críticas. Invejosos de plantão são vermes venenosos e corrosivos de todos que estão num patamar mais vantajoso.

Ninguém inveja desconhecidos e distantes. O seu alvo sempre vem envolto em alguma admiração de quem mora perto. A dor de cotovelo se instala contra aquele vizinho que prospera, sobressai e é bem visto. Inveja de fracasso, falência, doença – nem pensar! Nunca vi falar de alguém invejando uma pessoa feia.

Não há inveja de mendigo e falido.

A inveja é um sentimento mesquinho e perversão que enferruja a alma e corrói a vida de todo aquele que se compara aos outros e se percebe deficitário em algum item, que gostaria de possuir. “Espelho, espelho meu! Há alguém mais bonito do que eu”? Todo invejoso só inveja quem lhe sobressai. É a virtude do outro que o faz arder no seu vício.

Caim invejou Abel porque este foi aceito com sua oferta. Os irmãos de José se inflamaram de inveja por verem o moço se distinguir dos demais. O rei Saul tinha surtos psicóticos só em pensar no cântico das donzelas: – “Saul feriu aos milhares, porém, Davi, aos dez milhares“. – Como pode um fedelho, como esse, ser mais do que eu?

Como já vimos, a inveja é um sentimento medíocre advindo da comparação, da proximidade, da admiração e da falência. Quando eu me comparo com alguém próximo, e vejo nele algo que admiro, mas não percebo em mim, me torno esbraseado por dentro e ferino por fora, nesse quesito, pondo-me a destronar aquele que me ultrapassa.

Os pares de Daniel, quando viram a excelência de ancião, não tiveram dúvida: – chegou a hora de engendrar um plano para levá-lo à cova dos leões. A inveja sempre se pauta em extinguir aqueles que são alvos da sua gana. Talvez, o provérbio português nos dê algum sentido: “o invejoso nunca medrou (prosperou), nem quem perto dele morou”. É por aí mendiguinhos… só a cruz no invejoso!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 50 – o desafeto com o dinheiro

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Alguém disse: “Poucas coisas testam mais profundamente a espiritualidade de uma pessoa, do que a maneira como ela usa o dinheiro.” Este é um assunto difícil de ser abordado, porque muito acham que o dinheiro não tem “personalidade” e é neutro.

Mas a coisa é mais complicada do que vemos. A única realidade que Jesus se utilizou para comparar com a Divindade foi um tal Mamom. Tirando a máscara desse cara, vemos que se trata do dinheiro ou das riquezas. Jesus o chamou de senhor, ainda que ele seja escrito com letra minúscula, a sua dominação é de dimensão maiúscula.

O dinheiro não é um mero objeto, nem uma simples coisa. Ele tem vida própria e exerce poder de afeto, admiração, conquista e domínio sobre os sujeitos do seu ciclo de relacionamento. Sem respirar, ele inspira uma galera enorme e a faz transpirar em busca do seus favores. O dinheiro tem mais adeptos do que todas as religiões e esportes deste mundo, governado pelas suas propostas de realização. É um senhor apaixonante.

Porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. 1Timóteo 6:10. Neste caso, o dindin ganha status pessoal, já que amar se relaciona com pessoas. Se alguém é levado a dizer: eu amo a minha bicicleta, ele está concedendo à sua bike uma identidade pessoal. As coisas, no máximo, podem ser apreciadas, mas nunca amadas.

Uma vez ouvi alguém dizer: – eu adoro esta comida, então, pontuei: as coisas a gente gosta, as pessoas amamos, mas só a Deus podemos adorar. Amar ao dinheiro é, de fato, o mesmo que torná-lo pessoa.

Se o amamos ele se torna sujeito de nosso afeto.

O dinheiro, como sujeito do afeto humano, acaba se convertendo num senhor e consumidor de escravos. Amar o dinheiro é tê-lo como um roedor de nossa emoção, sem contudo, poder corresponder à nossa carência de afeto pessoal. Ele se torna num ditador de exigências e abutre de nossas entranhas, porque: tememos perdê-lo, se o tivermos um pouco mais e ambicionamos muito ganhá-lo, se ele for escasso, em nosso bolso.

O amor requer algum tipo de reciprocidade. A questão é: – como se consegue a contrapartida relacional com o dinheiro? – Alguém pode amar a “prata”, porém, ela nunca poderá corresponder esse amor. Dinheiro gera paixão, mas jamais se viu apaixonado por alguém. Ele dá poder às pessoas, embora não tenha poder para amá-las e contentá-las.

Perguntaram a um velho bilionário, quanto era o suficiente para uma pessoa se contentar com o que tem? – só um pouquinho a mais, foi sua resposta. Um pouquinho…

Olá, Mendigos! Nós, os que vivemos da esmola da graça, precisamos aprender a nos contentar com a suficiência da graça. A maior riqueza é de contentamento, tornando imateriais as nossas posses materiais.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 49 – graça soberana

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Muitos acreditam que graça é Deus fazendo uma parte e o ser humano a outra. Que Deus pode até fazer a maioria, mas a pessoa caída tem que fazer a sua parte. Essa é a opinião de muitos, contudo, a definição de graça, que mais fala ao meu coração, é:  – Deus dando e fazendo tudo a quem nada merece, nem tem condições de merecer.

Se a graça for 100% do agir de Deus, então, 100% de nossa reação será 100% pela graça. Não é que não reajo, porém, quando reajo, reajo movido 100% pela graça.

A questão é: se eu antes não buscava a Deus e agora o busco, se não o queria e agora o quero, o que me fez mudar de opinião? – Se minha vontade não o desejava, por que o deseja agora? Eis a questão. Como um morto espiritual pode ter vida espiritual?

Qual é a vontade do feto na sua formação e qual é a parte de um morto na sua ressuscitação? A criança é gerada e gestada sem a menor expressão do seu querer e as pessoas que Jesus ressuscitou não tiveram qualquer contribuição nisso.

O novo nascimento não é mera resposta humana ao propósito Divino, mas um milagre da graça na vivificação de um morto espiritual. Antes de qualquer resposta de um escolhido, ao chamado divino, ele precisa ser vivificado pelo poder da Palavra.

Sabemos que muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Sabemos que a proclamação é universal, mas a fé é particular, dependente 100% da graça, uma vez que, não há nada num ser caído, totalmente perverso e morto espiritual que o credencie a crer.

A vida precede às reações do ser vivo. A criança precisa ser gerada antes dela reagir com os instintos de ser humano. A vida espiritual antecede às respostas espirituais. Primeiro, a Palavra gera vida espiritual, para que o gerado de novo reaja espiritualmente.

Se um ser caído tiver a fé em si mesmo, então essa fé caída servirá de moeda de troca para a salvação do pecador e a graça deixará de ser graça. Então, o ser humano não faz nada para a sua salvação? Sim. A nova criatura reage espiritualmente conforme a ação da graça em sua vida. Ela crê e arrepende-se, porque foi vivificada pela graça.

Temos visto que somos vivificados pela Palavra, (Salmo 119:25, 50)  –  que a fé vem pelo ouvir a Palavra, (Romanos 10:17) e que – a bondade de Deus é que nos conduz ao arrependimento, (Romanos 2:4).

Tudo isto depende da ação da graça plena, antes de qualquer reação da nossa parte, embora seja imprescindível, a nossa resposta.

A vida pela graça é que produz em nós tanto o querer como o realizar. Sabe-se que a vida cristã não sou eu quem a vive, mas é Cristo quem a vive em mim, logo, Cristo é a Vida vivida através de mim. Isso tudo é graça e tudo é dEle, por Ele e para Ele.

Trocarei o coração de vocês. Tirarei o de pedra e darei o de carne, crucificarei o Adão e lhes darei Cristo e farei que vivam.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 48 – eu em três partes

Uma alma satisfeita é uma festa permanente de contentamento. A falta de bom ânimo e satisfação são responsáveis pelo desequilíbrio das emoções. O espírito abatido é a causa da enfermidade da alma e do adoecimento do corpo. O ser humano é tricotômico e as três partes: espírito, alma e corpo precisam viver em harmonia. Mas…

Se o corpo padece com as dores, é muito provável que a alma esteja enferma, em razão do espírito encontrar-se abatido. Tudo começou com a separação espiritual. Foi no Éden que o espírito foi desligado da sua fonte de vida e tornou-se sem alento em si, e, daí pra frente, a alma tomou as rédeas da existência. A psique é quem manda no pedaço.

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O ser humano vive, racional e emocionalmente, governado por sua alma. Tudo nele é medido e aceito pelo seu entendimento e por suas emoções. Se não puder explicar ou sentir, então, não pode ser admitido como válido. Assim, a alma precisa estar lúcida e bem equilibrada para poder determinar o melhor rumo do sujeito na estrada da existência.

Há três tipos de vida que estimulam a existência. – A vida bios mobiliza o corpo, a vida psique anima a alma e a vida zoe vivifica o espírito. Quando nossos pais, no jardim, caíram, a vida zoe, que depende de Deus, foi desconectada e o ser humano passou a ter sua história dirigida apenas pela bios e psique, contaminadas pelo pecado.

Destituído da vida espiritual, o homem deixou de contar com o transcendente e a sua compreensão limitou-se aos sentidos e estímulos biológicos, portanto, limitado aqui, ao plano material e sujeito ao abatimento no espírito, a depressão na alma e dor no corpo.

O espírito abatido deprime a alma, que envelhece os ossos, e estes, adoecem o corpo.

O rei Salomão disse: – O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos. Provérbios 17:22. O espírito sem uma alternativa do alto é como uma lareira sem chaminé, a fumaça toda contamina o ambiente interno e intoxica as pessoas. A alma, que conta apenas com suas forças, está sujeita às mais profundas enfermidades.

Desprovida da vida espiritual, a raça adâmica é sustentada por uma alma aflita que, com frequência, torna-se enfermiça, adoecendo o corpo. A alma ansiosa e agitada é sempre a via psicossomática das doenças agudas e crônicas. Como disse, muito bem, o salmista – enquanto eu mantinha escondidos os meus pecados, o meu corpo definhava de tanto gemer. Salmos 32:3. As doenças são, na maioria, frutos de nossa culpa.

O médico Dr. S. I. McMillen disse: – “A ciência médica reconhece que emoções como medo, tristeza, inveja, ambição, ressentimento e ódio são responsáveis pela maioria de nossas doenças. Os cálculos variam de 60% a quase 100%.”

Mendigos – incluo-me nessa estatística dolorosa e clamo ao Homem das dores que cure as minhas feridas. Só Ele pode curar-me.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 47 – não há nada em mim

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A porta da vida cristã é Cristo, e este, crucificado. Ninguém será um convertido sem antes passar por essa porta: Cristo morreu para eu morrer com Ele. Para gozar desta Vida espiritual, preciso passar pela morte do meu eu. Não mais eu, mas Cristo.

Não estou falando da morte do física, mas a morte do egoísmo. Não se trata, e não se deve pensar que a morte do ego, com Cristo, seja uma anulação da personalidade ou o sumiço do ser pessoal. Nada disso. Trata-se da substituição de uma vida autoritária, autoconfiante e autocentrada, pela vida liberta de si e centrada em Deus. Só pela graça.

O cristão não é alguém tentando viver a Vida de Cristo, antes, é próprio Cristo vivendo nele. É a vida da ressurreição depois de termos morrido na cruz com Cristo. Essa porta é a vida psique crucificada com Cristo, que se abre no caminho a ser trilhado, a Vida santa de Cristo ressuscitado, se expressando no seu modo de ser e de agir.

Ser cristão não é ser apenas um imitador de Cristo, mas ser como réplica dele, ou seja, viver pelo modo de ser do próprio Cristo, que vive nele. Não é fazer tão-somente o que Ele fez, mas, é Ele fazendo, em nós, somente o que ele faz. Não sou eu, é Cristo.

O ser humano, no pecado, está morto em seu espírito, porém, vive movido pela  sua vida bios e psique. Ele encontra-se radicalmente contaminado pelo pecado. Não há o menor indício de vida espiritual e nada que o habilite a receber a nova vida.

O morto, espiritualmente, não tem qualquer reação espiritual para corresponder a uma ação espiritual. Ele só está vivo biológica e psicologicamente. Não há nada de vida espiritual nele, assim, como, em Lázaro, na sepultura, não havia vida física para que ele pudesse corresponder ao chamado de Jesus. Lázaro foi ressurrecto pelo poder de Jesus.

A salvação do pecador, morto, em delitos e pecados, é uma ação espiritual de Deus em favor dele, que não tem nada espiritual que possa corresponder. Se ele estiver, de fato, morto, espiritualmente, então, ele precisará ser vivificado antes de poder reagir de modo espiritual. Neste caso ele precisa ser ressuscitado, espiritualmente, para reagir com as faculdades espirituais.

Creio que fé e arrependimento são atributos espirituais.

Alguns dizem que a graça é de Deus, mas a fé é nossa. Ora, se a fé for nossa, isto é, do pecador caído, então, temos uma fé contaminada, pelo pecado, servindo de liga à salvação pela graça, e, assim, temos uma fé poluída sendo o elo de um favor imerecido, que faz a graça deixar de ser graça, já que, a fé humana se torna uma moeda de troca.

O cristão é um milagre da graça. Ele foi vivificado e convencido pelo Espírito de Deus através da Palavra, para poder reagir espiritualmente. Mendigos, se a fé salvadora e o arrependimento de nós mesmos fizerem parte de nossa natureza caída, então, a nossa salvação estará perigo permanente. Pense nisso.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 46 – o mais doce pecado

Criticas

Há uma turma grande especialista em detalhes. Essa galera deleita-se em tudo o que é diferente de sua concepção ou da sua cultura estratificada, para criticar. Os erros e os defeitos alheios são matéria prima para a indústria da malícia e da maledicência.

O criticismo é filho da idealização. Só quem é fake imagina a perfeição estética, mas, neste caso, muitas vezes, descarta a perfeição ética. O que vale é a aparência, a lã sem bolinhas, a etiqueta, a maquiagem e o glamour. Este é o mundão da fantasia, da cara pintada, da imaginação e das novelas. Essa gente é dura com as deficiências e deficiente com a misericórdia. Critica o defeito alheio, embora escancare seu déficit de amor.

É muito mais fácil julgar, do que ser transparente. Macaco nunca olha pro rabo, bem como, a turma articulada que condena os outros, com suas críticas cruéis, enquanto joga com arte, pra baixo do tapete, os seus defeitos escondidos nas sutilezas.

Contudo, o apóstolo à gentalha foi bem lá no alvo: Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. Romanos 2:1. Viu só!

O sujeito que parece muito preocupado em criticar os outros, normalmente está mais ativo em ocultar as suas falhas, enquanto gera uma áurea para se auto promover.

Na opinião abalizada de Thomas Manton:

“A censura é um pecado agradável, todavia, extremamente complacente com nossa natureza.”

É ridículo coar mosquitos e ao mesmo tempo engolir camelos; ver o argueiro no olho alheio, enquanto tem uma lasca no seu. É triste conviver com inspetor de controle de qualidade, sempre vendo falhas.

Todos nós temos cicatrizes, mas há um grande grupo que procura disfarça-las. Fala-se dos outros, para despistar-los de nossas feridas. Mas, é exatamente aqui que nós todos precisamos do espírito da cruz. Ninguém fica de fora. Todos necessitamos, tanto de misericórdia para perceber os defeitos alheios, como para revelar a nossa falência.

Alimentar-se da desgraça do próximo, nunca poderia ser algo patrocinado pelo bom banquete da graça, tampouco deixar de ser gracioso com os trôpegos e claudicantes da jornada áspera deste mundo de terremotos e vulcões.

Mendigos, não esqueçam a história das pessoas. Quando estiverem sentados, na cadeira, como terapeutas, não olvidem a cultura do examinado, nem a sua família, sua infância, seus traumas, com os seus trancos e barrancos, pois tudo isso é, exatamente, o histórico que define a história da pessoa. Não podemos desconsiderar a trágica trajetória.

Jamais devemos ser omissos em analisar as falhas de quem for, se o objetivo for o amor. Porém se a nossa avaliação não estiver encharcada de amor, nós precisamos com urgência sair do consultório.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 45 – não me vejo um santo

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“Reputação é o que os homens pensam que você é; caráter é o que Deus sabe o que você é.” Minha reputação pode até ser apreciada por alguns, mas, se alguém souber a verdadeira realidade dos meus pensamentos, com certeza, não vai dar-me o crédito.

Muitas vezes, eu me esforço para ser adequado, todavia, não consigo pensar e proceder com a mesma pureza que idealizo. Eu me imagino santo, porém me vejo sujo. A minha hipótese de santidade não bate com a minha máscara de hipocrisia e isso me torna desanimado comigo mesmo. Não consigo ser o que sonho e meu pesadelo me incomoda.

Quando miro-me num espelho sem espectador, eu vejo os sinais das espinhas, e sofro com essas marcas que não posso apaga-las, contudo, se houver alguém mirando- me, passo base para disfarçar. Tenho medo que me descubram e não admirem-me.

No fundo, tenho mais medo dos outros do que de Deus. E me parece razoável. Deus já sabe de tudo e não tem expectativa a meu respeito. Ele conhece as cicatrizes das minhas espinhas e sabe o que as causou. Sabe que a queda é um tombo cósmico, – além do que, suas consequências são mais profundas do que supomos. E quê catástrofe!!!

Desventurado homem que sou, quem me livrará desse defunto podre? – É certo que não vejo saída em mim, com meu o cadáver atado a mim, tampouco consigo crer que Deus esteja interessado em me libertar dessa carniça.

Então, só espero por um milagre.

O milagre de Deus querer me desatar de mim, já que meu querer na consegue querer o que Deus quer. Minha vontade está comprometida com os meus desejos carnais, caídos, que não podem se desprender para querer o que Deus quer. Aí grito: – nunca quis te querer e nem posso te querer, mas, se tu me quiseres, porque queres me querer, – e se não for jogo de palavras, – conquista meu querer, para que eu te queira como me queres.

O meu nome é Ego; pra Contigo, eu sou mais resistente do que brilhante, e pra com meus desejos, mais frágil do que casca do ovo. Eu me debato e estrebucho contra o – “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, entretanto, não precisa ser uma tentação fogosa… lá se vai minha concupiscência querendo ser satisfeita.

A batalha mais cruel da vida não será superior à guerra da volúpia. Se os meus desejos não forem crucificados, não há nada que seja capaz de dominá-los. Meu Ego não tem capacidade para vencer os seus desejos egotistas. Como ninguém pode se crucificar – só a crucificação do Ego com Cristo, pode libertar o Ego da sua lascívia incontrolável.

Mendigos! – “Se todos os nossos desejos fossem satisfeitos, a maioria dos nossos prazeres seria destruída.” Satisfazer todos os desejos do egoísmo, é tornar o Ego do egotista permanentemente insatisfeito buscando o arco-íris. Só nossa co-morte na cruz com Cristo pode nos libertar do Ego. Tenho dito.

Do velho mendigo do vale estrito,

Glenio.

espírito da cruz 44 – Crente: pomba e serpente

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Já disseram que – “é melhor ser ingênuo do que engenhoso”. A simplicidade faz parte do ministério cristão. Para Jesus, duas são as virtudes necessárias ao ministro: Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. Mateus10:16.

O Mestre usa dois bichos, com duas características ímpares, para distinguir os membros do seu staff. A equipe dos remadores de Cristo precisam do estilo das serpentes e da pose das pombas. Precisam de invisibilidade e singeleza de coração.

Cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém. As víboras são cautelosas. Elas não se exibem, nem queimam etapas. Só saem para se alimentar e cruzar. Não é de praxe vê-las passeando nas passarelas da vida. Cobra que é cobra não cobra visibilidade. Elas se camuflam para se proteger dos inúmeros predadores. Onde está Wally?

Segundo Matthew Henry –  “A providência de Deus dá oportunidade para o uso de nossa prudência.” Se temos um Deus, Todo-Poderoso, não precisamos caçar onde Ele já providenciou o nosso suprimento. Ser prudente é ser oportuno e adequado.

Um ministro do evangelho é como cabrito entre raposas. Ele não pode se exibir sem o risco de se converter na presa. Dizia Leornard Ravenhill: “O púlpito pode tornar-se uma vitrine na qual exibimos nossos talentos,” e, neste caso, corremos o risco de sermos caçados pela nossa imprudência. O talentoso às vezes se espatifa em seus talentos.

Agora, vamos ver o outro pilar. Tem muita gente esnobe e complexa, fazendo-se passar por ovelhas do rebanho dAquele que é manso e humilde de coração.

A simplicidade é simplesmente a grandeza da singularidade da nossa crença, sem afetação. Ser simples é ser confiante apenas na suficiência de Cristo.

A singeleza de coração tem tudo a ver com a perseverança num único alvo: só Jesus e Jesus apenas.

Na nossa casa tem um bando de pombinhas incutidas em fazer os seus ninhos por lá. Não há nada que as façam desistir. Se desmanchamos, voltam e insistem em os reconstruir. Já fizemos de tudo, mas continuam de geração em geração fazendo os seus ninhos no mesmo lugar onde nasceram. Simples não é ser trouxa, é não levar-se a sério.

A simples confiança em Deus é o ingrediente mais importante de crescimento e progresso espiritual, e, o espírito da cruz é o suporte que nos mantém fora da sofisticação do ego altivo. Jesus disse: simples como as pombas e não exibido que nem pavão.

Mendigos, o andarilho da gentalha gentia suspeitara: receio que, assim como a serpente enganou a Eva com sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. A astúcia de serpente é prudência, mas a simplicidade vem das pombas. Atenção!

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 43 – elogios? quero!

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Eu não sei, mas acho que, no fundo, sou movido a elogio. Eu o temo, todavia, o espero. Mesmo sabendo dos seus tentáculos e fugindo dele, me vejo, no íntimo, à sua cata. Quando o recebo, finjo que não é comigo, mas gosto de ser apreciado. É loucura!

Conversando com outro viciado em confetes, disse-me ele: mas quem não o é? O genro humano carente, carece de aprovação. Somos todos consumidores de elogios.

A Bíblia diz que o ser humano é provado pelos louvores que recebe. De fato, o que mais pesa para o orgulho, não são as críticas, mas os aplausos. Alguém disse: “Não há limite para o bem que um homem pode fazer, se ele não se importar com quem recebe os louvores.” A prova dos nove da libertação é ser o pai da criança e outro ter as honras.

“o ser humano é provado pelos louvores que recebe.”

Ouvi um sussurro quase inaudível: – aquela ideia foi minha, mas, fulano de tal é quem está recebendo os louros. Então bradou: Não é justo! Nada pode ser mais cruel e indigesto do que você pintar o quadro e ver outro assinando a tela e recebendo o prêmio.

Li sobre um jovem escritor talentoso, que não teve vez no mercado publicitário e viu os seu livros editados por um renomado escritor feito pela mídia ao custo da fortuna e prestígio de seu pai. O moço vendeu por uma bagatela os seus manuscritos, enquanto o ilustre midiático ganhava os tubos com o talento do jovem ghost writer.

Mas essa história não termina na falência moral. Aquele jovem não se deu por vencido, nem se fez de vítima. Ele aprendeu com Jesus e com o espírito da cruz. Sem se ressentir com o caso, trabalhou com mais afinco, corrigindo os seus defeitos e teve uma nova chance, quando um editor famoso resolveu ler o seu trabalho e ficou maravilhado.

Ouvi contar de um pintor que viu o seu atelier incendiado. Dizem que ficou ali a olhar as chamas consumirem as suas obras de anos, enquanto alguns amigos tentavam consola-lo; ele teria dito: – essas chamas estão queimando apenas os meus defeitos. (Se é verdade, não sei, mas disseram-me que foi com Monet. Até pesquisei no Google!)

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Agora quero voltar à carência dos aplausos. Por que será que nós, geralmente, nos alegramos mais com os elogios do que com as críticas? Parece que nossa bem-vista autoestima não é sustentada por nós, mas pela opinião dos outros. É a estima alheia que mantém a nossa. Nós nos nutrimos do que os outros pensam de nós. Seria isto?

Então, se assim for, precisamos da obra da cruz em nossa vida. Não estou aqui me referindo à boa teologia da cruz, mas do espírito da cruz. Não basta o saber correto, o que é imperioso, agora, é o viver correto, no espírito, como um crucificado.

Mendigos! Alguém disse: – “não somos salvos pela sinceridade, mas podemos nos perder pela insinceridade”. Indago: o que nutre sua alma? É a proeza elogiada ou a vida de Cristo mediante sua morte pra o eu?

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

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espírito da cruz 42 – sabe com quem tá falando?

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O pecado propõe nos elevar. A serpente inoculou no gênero humano o veneno da soberba. Adão e Eva, criaturas finitas, foram incitados a serem como Deus e, de lá pra cá, a raça ficou insuportável subindo em jiraus, palanques e altares na busca da distinção. Todos nós sofremos com a síndrome de pódio e gritamos, no íntimo, por visibilidade.

Você sabe quem eu sou? Idade é posto… Eu dei a minha vida por isso e devo o mínimo de atenção. Sou filho de… A minha família foi quem… E, por aí vão os argumentos mais disfarçados para nos colocar na berlinda e mostrar a nossa importância.

Cristo Jesus tem outra postura. Cristo é Deus, mas Jesus vive como homem no nível inferior da escala. Ele nasceu numa família simples e pobre, mas nunca ambicionou ser da casta dos nobres e ricos. Ele era um homem e não um status; um dos membros da Trindade que não se importava de ficar de cócoras lavando os pés sujos de gente altiva.

Sermos feitos como Jesus é o propósito da salvação, vejamos:  Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. Romanos 8:29.

“Mulas e rochas podem pregar. A nossa via é ser feito como Jesus. É o fim de tudo que fazemos. É o fim da pregação. É o fim da oração. É ser como Jesus.”

Tornar-se como Jesus é uma obra da graça, por meio do Espírito. Não se trata de um esforço humano para alcançar esse modelo, mas o desmanchar do estilo de Adão pela cruz. Se o espírito da cruz não nos desconstruir da mania de altar e dessa síndrome insidiosa de visibilidade pública, ninguém consegue viver a vida de Cristo.

“Bem, eu estudei aqui, estudei ali. Fiz isto e aquilo. – Não quero saber de nada. Você ama? Agora ele continua e diz: Aquele que ama a seu irmão está na luz. Sim aquele que ama o seu irmão não é salvo por causa do seu amor, mas demonstra que já foi salvo pelo poder de Deus manifestando o seu amor ao irmão.” O amor é um selo da salvação.

Ninguém é salvo porque ama, mas ama de fato porque foi salvo. Porém, aqui, não estou falando do “amor” carnal. As pessoas na China, que eu não conheço, são até fáceis de amar. Mas quanto mais perto fico das pessoas, mais difícil é amá-las.

Alguém disse: “É impossível ter um relacionamento adequado na vertical sem o ter na horizontal. Você não pode ter um grande, magnífico, poderoso relacionamento com Deus se as suas relações com as pessoas à sua volta não estiverem certas.” Se não amo ao irmão que vejo, como posso amar a Deus que não vejo? Perguntou João, o apóstolo.

Mendigos, não fomos chamados pelo Pai pra sermos um espetáculo de virtude e dons, mas para demonstrarmos o amor de Cristo derramado no nosso coração através do Espírito Santo que nos foi dado. É só isso, mas isso é tudo.

Do velho mendigo,

Glenio.

espírito da cruz 41 – a face no Facebook

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A necessidade de visibilidade pública, das tentações da carne, é uma das mais severas no sentido de ofuscar a manifestação de Cristo em nós. O filho de Deus pode ser usado por Ele, mas precisa de modo legítimo sair do foco dos holofotes. Nós podemos ser instrumentos da graça, o que não podemos ser – é ilustres iluminados. Isto é catastrófico.

Iluminados, sim. Ilustres, nunca. Os filhos precisam ficar face a face com o Pai, mas não precisam ficar se exibindo no Face. Devem ser pessoas do Book, gente do Livro da Verdade, todavia, sem se expor no Face-Book. Com toda a certeza, nós podemos usar o Face-Book para a comunicação, contudo, precisamos nos ocultar. Sair de cena.

As passarelas têm sido mais perigosas para os pregadores do que se imagina. Um amigo, que teve um tombo na cama, me disse: eu não caí quando adulterei; adulterei, quando aceitei que era o tal.

Foi o palco que o derrubou.

O cara, na crista da onda, tem muitas necessidades de se exibir e tenta se projetar até surfando nas areias do deserto.

Ser notável é um risco notório na vida de quase todos os mensageiros de Deus que se envolvem na pregação do evangelho. Não há pregador que não se fascine com a sua sombra vista do púlpito, pois a imagem dele se confunde com a mensagem. Mas o de que todos carecem, na verdade, é sair do palco. O pregador precisa ser pregado na cruz, para não ser tentado a pregar-se como se fosse o cerne da mensagem.

Um pregador distinto ou famoso é alguém que se encontra em perigo. Muitos e muitos têm sido esfacelados pela sua celebridade. Alguém me sussurrou: seja um fidalgo, mas nunca um esnobe. Parei e fui examinar a etimologia das palavras. Fidalgo é um filho de alguém, tem origem. Esnobe é gente sem nobreza, bancando a excelência do nobre.

Ser um fidalgo, no Reino de Deus, significa ser filho do Altíssimo. Tem genética do Alto. Mas o esnobe é uma gentalha caída tentando escalar um trono. O filho de Deus é Sua Alteza, o dependente. O esnobe carece da aprovação dos outros para se ver aceito.

Ninguém pode ser o que não é. Se somos fidalgos, somos filhos de Aba. Neste caso, fomos regenerados pelo Espírito Santo e feito filhos pela graça. Se somos esnobes, somos caricatura, e nada mais. É pura aparência de gente fake que não merece crédito.

Vance Havner costumava dizer: “A popularidade tem matado mais profetas do que a perseguição.” Esta, é consequência da verdade, aquela, da política. Ao buscarmos ser notados pelo auditório, ao invés de ser usados por Deus, já perdemos a credencial de ser ministro do Cristo, que deixou a sua glória para viver sem qualquer glamour.

Mendigos, o espírito da cruz nunca enfatiza o nosso brilho ministerial. Ninguém deve estar em um púlpito cristão, se tiver mais atento ao seu brilho pessoal, do que a luz que irradia do crucificado. Cuidado com lantejoula!

Do velho mendigo do vale estreito.

Glenio.

espírito da cruz 40 – mentiroso, fingidor e hipócrita

Guy Fawkes mask hangs on wall at a factory in Sao Goncalo

 

Enquanto um pregador expunha sua mensagem, um ouvinte, que também era pregador e que discordava da abordagem do mensageiro, irritado com os argumentos que ouvia, pegou o seu celular e saiu colocando-o ao ouvido como se estivesse recebendo um chamado. Lá fora se disfarçou e comentou com alguém: – foi o jeito que achei para sair.

O irritado era um desses professores de Deus, crítico, dono da verdade e que tem o costume de chamar de mentirosos aqueles que discordam do seu jeitão. Então, um observador da cena que o conhecia bem, comentou: – isso também não é mentira???

Parecer o que não se é, é a mentira mais comum na passarela da existência. E ninguém, por mais legítimo que seja, encontra-se isento dessa camuflagem. Diz Fernando  Pessoa: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente”. É o teatro do faz de conta que conta o que os fatos não contam.

O idoso canseiroso, reumático e dolorido responde ao amigo transeunte que o cumprimenta: – tudo bem! Sem se tocar que mente, mente – tudo bem… e sai sem graça. A mentira social e de bons costumes é aceita e pregada. É horrível dizer a pura verdade para quem quer saber apenas da aparência. Mas, mentira de santo é profanidade.

Condenar mentiras grosseiras e viver numa mentira polida, não isenta alguém de um maior juízo. O comentarista bíblico e expositor do século XVII, Matthew Henry foi preciso: “Nada ofende mais a Deus do que a fraude disfarçada nas relações pessoais.”

Um ídolo de madeira bem pintado é um ídolo de madeira. Um hipócrita vestido de santo é um hipócrita em sua maior dimensão. Satanás tem como seu disfarce preferido vestir-se de anjo de luz, mas isso não o torna num iluminado, apenas num ilusionista. Por trás de sua face angélica esconde-se sua carranca pavorosa de demônio.

Alguém já disse muito bem, que: “hipócrita é o homem que faz com que sua luz brilhe de tal forma diante dos outros, que eles não possam saber o que está acontecendo por trás dela!” Isso é a arte do ilusionismo; tem holofotes demais e holocausto de menos, isto é: há mais ilusão do que realidade, mais labaredas do que consagração.

O cara que sai com seu telefone, fingindo que recebeu uma chamada e precisa se retirar para atende-la fora, é tão corrupto e mentiroso como o político que desvia verba pública para a sua conta e conta que investiu em favor da comunidade.

Mendigos, desonestos não são apenas os que comentem grandes crimes, mas os que fingem ser o que não são. Ladrões não são só os que roubaram o Petrobras, mas todos os que levam uma agulha escondida da loja. Mentirosos… são todos… Bem…  como bem disse o velho  Aristóteles: “Tudo o que alguém ganha com a falsidade é não receber o crédito quando fala a verdade.”

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 39 – aprendendo com Napoleão

Napoleão Bonaparte, exilado na ilha de Santa Helena, afirmou: “para se fundar uma religião é preciso primeiro morrer e depois ressuscitar, a primeira eu não quero, mas segunda eu não posso”. Aqui, precisamos fazer algumas considerações sobre sua fala.

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Quando imperador, na crista da onda, o grande Napoleão se bastava gerindo o  seu império com mão de ferro. No exílio, sem a bajulação do poder, teve todo tempo para refletir, bem como a graça de cima para ser transformado; parece que foi convertido. Mas, na sua frase, acima, não foi exato. Ninguém precisa morrer e ressuscitar para fundar uma religião. De fato, a religião é construída e exercida na força da carne do velho Adão.

Talvez Napoleão estivesse querendo dizer:  para ser integrante do evangelho é precisa morrer e depois ressuscitar; é preciso que o velho Adão morra. O problema é que não quero morrer. Não quero sair do comando, não pretendo deixar de governar. Além do que, se eu morrer, não consigo retornar à vida. Eu não posso me ressuscitar.

Eu não quero morrer, mas essa é a única alternativa para uma vida nova. Sem a morte do ego na cruz, com Cristo, não há a menor possibilidade de ter vida ressurrecta. A obra do evangelho de Deus em favor do pecador é a morte e a ressurreição, enquanto a religião é tão-somente o  esforço humano para buscar a aceitação divina.

O ego vive do egoísmo como a matriz de um vida insatisfeita e a obesidade da alma que nunca se contenta. A insatisfação é a filha primogênita desse eu insubmisso que se deleita em desprestigiar os outros para tentar projetar a sua sombra com o fogaréu das vítimas que incendeia. Logo, a alternativa da salvação é a morte desse soberbo soberano.

Sem a morte do ego não há possibilidade de vida espiritual. É por isso que, de modo insistente, Thomas Brooks súplica em oração: – “Livra-me, ó Deus, daquele homem mau – eu mesmo.” Ninguém pode, simultaneamente, chamar a atenção para si e glorificar a Deus. Ou o ego morre com Cristo ou ele se mata de tantas exigências egoístas.

O pregador americano D. L. Moody dizia de si: “tenho mais dificuldade com D. L. Moody do que com qualquer outro homem com quem já me encontrei.” E John Newton somou: “tenho lido sobre muitos papas ímpios, mas o pior papa que já encontrei é o Papa Eu.” De fato, jamais podemos nos vencer ou extinguir, mas podemos nos conformar com o molde da cruz, pois a morte de Cristo precisa ser incorporada em nosso modo de viver.

Mendigos, “o homem que vive por si e para si, tenderá a ser mais corrompido e mais corruptor pela companhia de “si” que ele não quer abandonar.” Mas lembre-se que o eu é ainda tão sutil, que raramente alguém percebe a sua presença. Se eu quiser ter uma biografia que não termine na frase, “aqui jaz”… esse eu tem que morrer com Cristo, antes da minha morte física.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

espírito da cruz 38 – segredo da felicidade

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Indagaram-me: o que você quer dizer com espírito da cruz? O que está por trás dessa série de artigos? Nada mais e nada menos do que o caráter de Jesus, ou melhor, o princípio de interação da Trindade. Espírito tem a ver com a realidade além da matéria e a cruz, com a morte do egoísmo. Se o eu não for crucificado, certamente será exaltado.

O segredo da felicidade é a renúncia de si mesmo. Mas como posso renunciar-me? Como o ego pode abrir mão de si? Se eu me abdicar, por mim mesmo, acabo por me entronizar num pedestal de vanglória. Veja: ego que se esvazia, sempre se enche da sua própria soberba de ter-se esvaziado a si mesmo, por suas próprias forças.

Nunca vi alguém que pregue sua humildade, que não se exalte nas entrelinhas de ter alcançado, em seu portfólio, a postura humilde. O ego que se humilha é propenso a orgulhar-se do seu desempenho. Por isso, a humildade tem que ser uma qualidade, tão invisível, para quem a demonstra, que lhe seja impossível de percebê-la.

Abnegação à sudorese é paixão violenta de alma altiva. Generosidade com os holofotes ateados é uma peça bizarra. Desprendimento noticiado é a apelação do sujeito oculto na oração, que quer ser o predicado do objeto de atenção. É um absurdo o defunto relatar o seus feitos. Quem morreu, silencia-se! Alguém já ouviu a defesa de um finado?

O espírito da cruz tem tudo a ver com a morte do ego fora de qualquer esforço do ego. Não é uma auto-aniquilação, mas uma aniquilação do alto. Não se trata de uma egoplastia de si mesmo, por si mesmo, mas, uma extirpação do eu pela obra da cruz.

Nada em favor de nossa salvação pode ser feito por nós, uma vez que tudo foi feito em Cristo e por Cristo.

O próprio ato de fé pelo qual recebemos a Cristo é um ato de completa renúncia do eu e de todas as suas obras com base na obra de Cristo, na cruz.

Não sou eu que me suicido, é Cristo quem me crucifica. Se já estou crucificado com Cristo, então não careço de me eximir de qualquer deslize, nem de me deslumbrar por qualquer realização. Não há o menor espaço para o eu depois da cruz.

Jesus nunca se defendeu nem fez qualquer exposição de suas realizações. Ele é a única chance a toda aquele que vive sob os efeitos eternos do espírito da cruz; jamais buscar um palanque, para se exibir; tampouco estar num tribunal, para se defender.

Relatórios de boca própria são temerários. Auto-justificação é uma prova cabal de absoluta descrença na justificação do Cordeiro. Quem morreu na cruz com Cristo, não tem nada de que se defender, muito menos ainda para se projetar. É fim de papo.

Mendiguinhos, não se importem de serem considerados como bicho da goiaba na salada dos esnobes.

O arrependimento é o abandono de determinada ação, devido à convicção de que Cristo fez tudo.

Isso basta.

Do velho mendigo do vale estreito,

Glenio.

O ESPÍRITO DA CRUZ 37 – adestramento ou liberdade?

Um amigo, exímio caçador, alertou-me sobre a atitude de quem quer sai por aí, porta afora, com o seu cão preso à coleira. Qual o sentido de uma dupla que anda atada?  Estava querendo mostrar-me a conduta de um cachorro que segue o dono atrelado a uma correia, enquanto outro passeia, sem coleira, movido ao apreço com o seu amo.

Naquela mesma semana, outro amigo andava em seu bairro e viu alguém que passeava com o seu cãozinho sem coleira. Ficou impressionado com a postura do animal bem adestrado. Todas as vezes que chegavam a um lugar perigoso, onde havia o risco de atropelamento, o dono se detinha e dizia: pare! Então, o cão parava. Logo, depois, os dois atravessavam juntos. Era um passeio em que a obediência vinha da amizade.

-Aquele que teme o Senhor possui uma fortaleza

Meu amigo andou por algum tempo observando os dois e viu que o cachorrinho era obediente e seguia o seu proprietário não porque estivesse encoleirado, mas porque o respeitava. Ele havia sido treinado a considerar a importância dessa “cordialidade”.

No caso do cão foi um condicionamento. O animal foi treinado a obedecer, mas a questão que quero agora levantar, é: -como um ser humano consegue andar com Deus, de modo voluntário, sem um cabresto a controlá-lo? Como pode, livremente, segui-lo?

A religião sempre conduz os sujeitos com ameaças ou interesses atrelados. Eu tenho observado que normalmente as pessoas, nas igrejas, só obedecem porque são, de certo modo, coagidas por punições, castigos ou vantagens que podem auferir. O inferno e o céu têm servido para condicionar o desempenho de uma turma enorme de autônomos.

A obediência cristã não é escravidão a um legalismo dominador, nem ainda um átimo de subserviência por medo ou interesse, mas submissão voluntária à vontade divina movida pelo amor e regada à alegria. Obediência sem prazer, no íntimo, é vassalagem.

A verdadeira obediência é livre e festiva. Não há obrigação, nem contrariedade. Alguém rebelde perguntou a um cristão feliz: por que você vai sempre à igreja? Ele queria se justificar, defendendo sua liberdade de não comparecer às reuniões da sua grei, então, fez uma pressão. Ao que respondeu o cristão, com sabedoria: Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer. Salmos 16:3.

Aquilo que é feito de gosto, não traz desgosto. Davi entendeu o que significa a obediência livre e voluntária: agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei. Sal 40:8. Matthew Henry também entendeu o axioma: “Quando a lei de Deus está escrita em nosso coração, nosso dever é nosso prazer.”

Mendigos, ser obedientes com uma arma na cabeça é terrorismo e, obediência sem alegria é tirania. O espírito da cruz nos liberta, de tal modo, que a nossa obediência é sem coleira e por puro prazer. Do velho mendigo do vale estreito, GP.

espírito da cruz 36 – Deus não tem time, mas é o técnico

A igreja é a reunião dos escolhidos de Deus. Não se trata de mero aglomerado ou ajuntamento de sujeitos com os mesmos ideais. A igreja não é um clube da elite, nem um sindicato de operários-padrão ou uma sociedade secreta de gente especial. Ela é sim, a reunião dos eleitos da Trindade, expressando o caráter de Cristo em adoração.

 
J. Blanchard disse com muita precisão: “a igreja não é uma democracia na qual escolhemos a Deus, mas uma teocracia na qual Ele nos escolheu”. Portanto, essa igreja é o encontro comunitário da família de Abba. Trata-se da comunhão relacional dos filhos do Altíssimo, patrocinada pela unidade dos motivos, jamais pelos rituais e formalidades.

 
Segundo George Eliot: “o que torna a vida enfadonha é a ausência de motivos. O que torna a vida complicada é a multiplicidade de motivos. O que torna a vida vitoriosa é a unidade de motivos”. Mas, aqui, reina uma grande luta. Como podemos manter, nesse corpo multiforme e polivalente, uma unidade motivacional uniforme? Eis a questão.

 

PHILADELPHIA, PA - SEPTEMBER 07:  Penn men's soccer loses 2-1 to Air Force at Penn on September 7, 2012 in Philadelphia, Pennsylvania. (Photo by Drew Hallowell

 
Viver em harmonia numa comunidade heterogênea é algo fora de série. Não há nada mais espetacular do que a ausência de competição entre as pessoas diferentes. Por isso, ver a unidade na diversidade é um milagre sui-generis do espírito da cruz.

 
Esse espírito antecede a história da cruz no Calvário. O mistério da Trindade se expressa na unidade de três pessoas distintas, vivendo sem nenhuma disputa. Que lindo! Mas, como pode conviver um trio triúno sem trincas e tridentes? Só o espírito da cruz.

 
O que caracteriza a unidade na Trindade é o amor. A Bíblia diz que o amor não busca os seus próprios interesses. Amar é viver em favor de. Alguém já disse: “a suspeita subtrai, a fé adiciona, mas o amor multiplica o ganho para dividir com quem ama. O amor abençoa duplamente: aquele que o dá e aquele que o recebe”.

 
Li, recentemente: – É indiferente para nós o que faz a maioria das pessoas que conhecemos ou como elas passam o seu tempo. Porém, assim que começamos a amar uma delas, passamos a nos interessar, no mesmo instante, por essa pessoa.

 
Quem ama não persegue, não boicota, não compete. O amor é a manifestação do culto de auto-sacrifício em prol da unidade dos “amantes”. O amor não se dói, se doa.

 
O caminho para a unidade cristã não passa pelas salas de comissões… Passa pela unidade pessoal com Cristo crucificado, de modo tão profundo e real, que possa ser comparada à Sua unidade com o Pai. Se morremos com Cristo… unidade é Cisto em nós.

 
Friedrich Tholuck disse: “A igreja é um só corpo – você não pode ferir o dedo do pé sem afetar o corpo inteiro”. Como pode haver unidade com preferência, privilégios ou a maldita política da discriminação? Mendigos, não entrem nessa das denominações, times e partidos adequados em defesa da unidade.

 

Do velho mendigo do vale estrito, GP.